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Novas palavras e expressões para novos comportamentos                     

 

A observação das novas palavras e expressões ajuda muito a desvendar a realidade social. Repito: ajuda principalmente a detectar mudanças na maneira com que a gente vive.

Essas mudanças podem ser impulsionadas pelo exemplo de pessoas carismáticas que ascendem ao patamar de celebridades. Lembro da atriz Leila Diniz, na década de 60, desfilando o barrigão de grávida dentro de um minúsculo biquíni nas praias do Rio de Janeiro. Era inédito. Mas depois dela a cena se tornou corriqueira. Em alguns casos é a publicidade que fornece o combustível: ”o primeiro sutiã a gente nunca esquece”, “não é nenhuma Brastemp”…  

Mas, a partir do século 20, mais especialmente a partir da segunda metade do século 20, é a tecnologia que molda novos hábitos, novos comportamentos e que incorpora novas palavras e expressões ao nosso vocabulário.   

Nesta semana aprendi duas.

A primeira é nudificação. Tradução: transformar imagens das pessoas em falsos nudes. A possibilidade se tornou concreta por conta da Inteligência Artificial. Já é um problema. Qualquer um pode criar imagens de qualquer pessoa nua ou em situações constrangedoras e comprometedoras. Uma mulher traindo o marido. Alguém oferecendo o corpo para prostituição. É falso. Mas uma boa parcela das pessoas acredita e pior: continua acreditando mesmo depois do desmentido. É crime. Mas na maioria dos casos é quase impossível rastrear a origem da falsificação. O prejuízo pode ser terrível, devastador, irreversível. Imagina um filho vendo uma imagem da mãe numa falsa cena de sexo bizarro.

A nudificação é um processo tão novo que se você digitar a palavra no WhatsApp, o corretor vai substituir por “nidificação” que é o processo de construção de ninhos para postura dos ovos e reprodução principalmente das aves.

A outra expressão que eu aprendi nesta semana se refere a uma unidade policial especializada que foi criada em São Paulo: Delegacia de Repressão e Análise de Delitos de Intolerância Esportiva.

Demorou !!! Ninguém aguenta mais a violência das torcidas organizadas. Os conflitos, às vezes até programados pelas redes sociais, têm resultado em mutilações, invalidez e mortes.

Na Europa, essa violência foi erradicada com a adoção de medidas extremamente severas. Os hooligans que assombravam as cidades onde os times ingleses e holandeses jogavam sumiram do cenário. No Brasil e na verdade em toda a América do Sul, a selvageria campeia. A nova delegacia traduz essa transformação.   

Neste século 21, usamos a tecnologia para destruir reputações com imagens e informações falsas. E transformamos o esporte, especialmente o futebol, de uma escola onde se aprende a ganhar e a perder, num palco de ódio e intolerância equivalente aos anacrônicos conflitos étnicos e religiosos.  

 

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