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Política – A Polícia Federal (PF) intimou o policial federal Danilo Campetti para prestar depoimento na próxima terça-feira (25) sobre sua possível participação em atos nos quais foi utilizado um boneco inflável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestido de presidiário.
Campetti é candidato a deputado estadual por São Paulo e ficou conhecido por ter participado da prisão de Lula em 7 de abril de 2018, além de ter integrado a equipe responsável pela condução coercitiva do então ex-presidente em março de 2016.
O procedimento administrativo instaurado pela PF busca esclarecer os fatos relacionados ao uso do boneco, conhecido como “pixuleco”. A corporação afirma que não abriu investigação criminal nem processo administrativo disciplinar por crime contra a honra do presidente.
PF quer esclarecer participação em ato na Avenida Paulista
Segundo o ofício encaminhado a Campetti, a PF analisou publicações nas redes sociais que mostram o policial ao lado do boneco de Lula durante um ato político realizado em 1º de março de 2026, na Avenida Paulista, em São Paulo.
O documento também menciona outro episódio, no qual o boneco teria sido utilizado durante uma festa de aniversário em São José do Rio Preto, cidade onde Campetti tem residência.
A corporação pretende esclarecer a participação do policial nos acontecimentos e as circunstâncias em que as imagens foram registradas.
Campetti, porém, nega ter qualquer envolvimento com a utilização do boneco.
“Não tem nexo nenhum isso daí. Eu não tenho nada a ver com esse boneco.”
Segundo ele, o objeto teria sido levado por outras pessoas a um aniversário que ele não organizou. Campetti afirma ainda que, quando chegou ao local, pediu que o boneco fosse retirado.
Sobre o ato na Avenida Paulista, também negou participação na organização ou responsabilidade pelo objeto.
Policial nega irregularidade e questiona procedimento
Campetti também questionou a legalidade do procedimento instaurado pela Polícia Federal.
Segundo o policial, ele não poderia ser responsabilizado pela conduta de outras pessoas e afirmou que os episódios ocorreram durante o período em que exercia mandato de deputado estadual.
Ele também argumentou que eventuais crimes contra a honra dependem de iniciativa específica da pessoa que teria sido ofendida.
A Polícia Federal, entretanto, esclareceu que o procedimento em andamento não tem como objetivo investigar um crime contra a honra de Lula.
PF afirma que procedimento não é investigação criminal
Em nota, a Polícia Federal explicou que não foi instaurada investigação criminal nem Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar suposto crime contra a honra do presidente.
Segundo a corporação, trata-se de um procedimento administrativo destinado exclusivamente ao esclarecimento dos fatos.
A PF também destacou que esse tipo de procedimento é diferente de uma investigação criminal, cuja abertura segue requisitos e competências previstos na legislação.
A Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) e o Ministério da Justiça não comentaram o caso.
Quem é Danilo Campetti?
Campetti é policial federal especializado em escolta de autoridades. Em 2016, participou da condução coercitiva de Lula determinada pelo então juiz Sergio Moro.
Dois anos depois, também integrou a equipe que realizou a prisão de Lula, em abril de 2018.
Após esse período, Campetti passou a integrar a equipe de escolta do então candidato Jair Bolsonaro. Posteriormente, foi nomeado para cargos no governo federal, incluindo funções no Ministério da Agricultura e no Ministério da Infraestrutura.
Em 2022, candidatou-se a deputado estadual pelo Republicanos e utilizou em sua campanha a imagem em que aparece prendendo Lula. Recebeu 52.393 votos e ficou como segundo suplente.
Posteriormente, foi cedido pela Polícia Federal ao governo de São Paulo e passou a atuar como assessor especial do governador Tarcísio de Freitas.
A cessão terminou em junho de 2023, quando a PF solicitou seu retorno e abriu um processo disciplinar relacionado a outro episódio.
Campetti chegou a assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em junho de 2024, permanecendo no cargo até abril de 2026. Atualmente, é novamente candidato a deputado estadual pelo Republicanos.
Depoimento está marcado para terça-feira
O depoimento de Danilo Campetti está marcado para 25 de agosto. A PF deverá ouvir sua versão sobre as imagens analisadas e sobre sua eventual participação nos episódios mencionados no procedimento.
Até o momento, a corporação afirma que a apuração tem caráter administrativo e que não se trata de uma investigação criminal por crime contra a honra de Lula.

