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Referência no Serviço Social brasileiro, “Carmela” deixa um legado histórico na defesa dos Direitos Humanos e de uma Assistência Social pública e universal. A Fundação Virginia Ferraz emitiu nota de pesar destacando a perda irreparável para o país.
Por Portal ISN Notícias
O Serviço Social brasileiro e a intelectualidade do país amanheceram em luto. Faleceu na última quinta-feira (13), aos 84 anos, a professora, pesquisadora e militante Maria Carmelita Yazbek. Conhecida carinhosamente como “Carmela”, ela foi uma das maiores referências teóricas e políticas da história recente do Brasil, dedicando sua vida à defesa da classe trabalhadora e à consolidação do projeto ético-político do Serviço Social.
A trajetória de Carmelita é marcada por uma intelectualidade engajada. Professora titular e pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ela foi fundamental na formação de diversas gerações de assistentes sociais, mestres e doutores espalhados por toda a América Latina. Sua atuação foi decisiva durante o Movimento de Reconceituação, que rompeu com as bases conservadoras da profissão no Brasil e a alinhou ao pensamento crítico e à teoria social marxista.
Entre suas inúmeras e importantes obras, destaca-se o clássico Classes Subalternas e Assistência Social, um divisor de águas na literatura da área. No livro, Yazbek desnuda a forma como a assistência social foi tratada historicamente no Brasil, combatendo a lógica do favor, do clientelismo e da filantropia. A professora era uma defensora voraz de que a assistência social fosse estruturada como uma política pública de Estado — universal, laica, eficaz e pautada no direito cidadão.
Para além da academia, Carmelita foi uma mulher de práxis e de resistência. Sua presença esteve sempre atrelada aos movimentos sociais, à defesa intransigente dos Direitos Humanos e às entidades representativas da categoria, como o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS). A crença inabalável de que um mundo mais justo, livre de exploração e opressões, é possível, foi o motor de sua vida.
O falecimento da professora representa uma grande perda para o pensamento crítico brasileiro. Trata-se da despedida de uma gigante, de uma mulher incansável que construiu as bases para que os assistentes sociais de hoje pudessem atuar com rigor e firmeza ético-política.
Em decorrência de seu falecimento, diversas instituições, movimentos e conselhos de classe têm se manifestado. A Fundação Virginia Ferraz emitiu uma nota oficial lamentando profundamente o ocorrido, classificando a partida da intelectual como uma “perda irreparável” para o Brasil e ressaltando seu lugar eterno na galeria das grandes mulheres humanistas da nossa história.
Confira abaixo, na íntegra, a nota divulgada pela Fundação:
Nota de Pesar pelo Falecimento de Maria Carmelita Yazbek
A Fundação Virginia Ferraz vem a público manifestar seu mais profundo pesar pelo falecimento da professora, pesquisadora e militante Maria Carmelita Yazbek. É com incomensurável tristeza que recebemos a notícia da partida desta que representa uma perda irreparável para o Serviço Social, para a educação e para o Brasil.
Além de toda a sua brilhante trajetória acadêmica, Carmelita destaca-se pela sua resistência inabalável e pela crença ativa na construção de um mundo mais justo. Perdemos uma gigante, uma grande brasileira, uma mulher de luta e incansável, que fez de sua vida uma defesa voraz dos Direitos Humanos e da classe trabalhadora.
Seu humanismo pulsante e sua produção intelectual de extrema importância foram alicerces para a defesa incontestável de uma Política de Assistência Social que fosse, de fato, universal, estatal e eficaz. Mais do que teórica, Carmelita foi uma mulher de práxis: sua atuação constante junto aos movimentos sociais e sua contribuição teórica e política foram determinantes na construção da categoria de assistentes sociais tal como a conhecemos hoje — crítica, ética e comprometida com as lutas sociais.
A partida de nossa querida “Carmela” deixa um vazio impreenchível. No entanto, Carmelita sempre será lembrada e reverenciada na galeria histórica das grandes mulheres, intelectuais, militantes e humanistas do nosso país. Seu legado não morre; ele germina em cada profissional e estudante que se recusa a aceitar a desigualdade e a opressão.
Neste momento de dor, a Fundação Virginia Ferraz estende sua solidariedade aos familiares, amigos, ex-alunos, companheiros de jornada e a toda a categoria de assistentes sociais.
Maria Carmelita Yazbek, presente! Hoje e sempre!
Fundação Virginia Ferraz

