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delação de Vorcaro
Reprodução internet
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Política – Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e um dos investigados no caso Master, prepara uma terceira proposta de delação premiada. Segundo apuração, a defesa pretende reiniciar as negociações e reconstruir a estratégia para tentar avançar em um eventual acordo com as autoridades.

Já existe um pedido formal apresentado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para ampliar o acesso dos advogados ao ex-banqueiro. A intenção é permitir que a defesa faça um levantamento completo das informações que Vorcaro possui sobre as investigações.

Defesa quer até seis horas diárias com Vorcaro

Entre os pedidos apresentados ao STF está a autorização para que os advogados tenham acesso ao ex-banqueiro por até seis horas por dia.

De acordo com Clarissa Oliveira, a intenção seria realizar um processo de “debriefing” completo com Vorcaro. A defesa pretende revisar as informações disponíveis e identificar eventuais elementos que ainda possam ser apresentados às autoridades.

A estratégia também busca afastar suspeitas de que o ex-banqueiro tenha deixado de informar dados relevantes relacionados ao caso Master.

O pedido de audiência dos advogados com André Mendonça representa, segundo a apuração, o primeiro movimento formal dessa nova etapa de negociação. Conversas informais, porém, já teriam ocorrido anteriormente.

Novo advogado participa da reformulação

O advogado Daniel Bialski, que tem experiência em negociações envolvendo delações premiadas, está sendo incorporado à equipe liderada por Sérgio Leonardo.

A mudança ocorre em meio à tentativa de reconstruir a relação da defesa com as instituições responsáveis pelo caso e com o ministro André Mendonça.

A relação teria sido prejudicada durante o período em que a defesa era comandada por José Luiz de Oliveira Lima, conhecido como Juca, após atritos com Mendonça.

A nova equipe trabalha com a premissa de estabelecer uma relação de maior transparência com as autoridades.

Negociação pode envolver PF e PGR simultaneamente

Caso as negociações sejam retomadas, a expectativa é que a defesa dialogue simultaneamente com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

A estratégia busca evitar negociações separadas com cada instituição e construir uma proposta única, envolvendo todos os responsáveis pela análise do eventual acordo.

“Tem que ser com todo mundo, tem que ser casado e tem que ser completo”, afirmou Clarissa Oliveira ao explicar a expectativa para uma possível nova rodada de conversas.

A eventual homologação de um acordo, porém, depende da análise das autoridades competentes e do cumprimento dos requisitos legais aplicáveis à colaboração premiada.

Tentativas anteriores enfrentaram obstáculos

De acordo com fontes da PGR e da Polícia Federal citadas na apuração, as tentativas anteriores de negociação encontraram obstáculos em pelo menos três pontos.

O primeiro seria a necessidade de Vorcaro assumir os crimes que são objeto das investigações. Segundo informações atribuídas à cúpula da PGR, teria havido insatisfação com a postura apresentada nas negociações anteriores.

Outro ponto envolve a questão financeira. As autoridades investigam o montante que deveria ser devolvido e a localização dos recursos relacionados às suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master.

Os valores mencionados nas investigações chegam a R$ 40 bilhões a R$ 60 bilhões, segundo a apuração. Essas cifras, porém, correspondem a estimativas relacionadas ao caso e não devem ser interpretadas como valor definitivamente comprovado de recursos desviados.

PF cobra informações inéditas

O terceiro obstáculo apontado pelas autoridades seria a necessidade de apresentação de informações novas.

Segundo fontes, parte do conteúdo apresentado anteriormente por Vorcaro já estaria disponível à Polícia Federal por meio dos mais de dez celulares apreendidos durante as investigações.

Por isso, a expectativa das autoridades seria que uma eventual nova colaboração apresentasse elementos que ainda não estejam no conhecimento da investigação.

A necessidade de informações inéditas é um dos pontos centrais para que uma nova tentativa de acordo possa avançar.

Nova delação ainda depende de negociação

A preparação de uma terceira proposta não significa que um acordo tenha sido fechado.

A defesa ainda precisa apresentar sua estratégia às autoridades e superar os obstáculos apontados nas tentativas anteriores. PF, PGR e STF também deverão avaliar o conteúdo oferecido e as condições de eventual colaboração.

Neste momento, portanto, a negociação representa uma nova tentativa de Vorcaro de estabelecer um acordo de colaboração premiada no âmbito das investigações relacionadas ao caso Master.

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