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Política – Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta falhas na aplicação de mais de R$ 6,2 milhões enviados por meio de emendas parlamentares do tipo transferência especial, conhecidas como “emendas Pix”, para a Prefeitura de São José da Laje, em Alagoas.
Os recursos foram destinados pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado na quarta-feira (5) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo o relatório dos técnicos do TCU, houve perda de rastreabilidade dos recursos porque valores que estavam em uma conta específica foram transferidos para outras contas bancárias da prefeitura. O município tem cerca de 20,8 mil habitantes e fica a aproximadamente 100 quilômetros de Maceió.
A auditoria também identificou a ausência de um relatório de gestão no sistema Transferegov, documento exigido na prestação de contas desse tipo de transferência.
As falhas apontadas pelo tribunal, entretanto, não significam que Alfredo Gaspar tenha sido responsabilizado por irregularidades. A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou um pedido de apuração contra o deputado por considerar que não havia elementos mínimos que indicassem sua participação nas possíveis irregularidades.
O que o TCU encontrou nas emendas Pix
O relatório do TCU aponta que a transferência dos valores para contas diferentes daquela destinada especificamente à emenda dificultou o acompanhamento da aplicação do dinheiro público.
De acordo com os auditores, a movimentação financeira prejudicou a capacidade de rastrear como os recursos federais foram utilizados.
O tribunal acionou a Prefeitura de São José da Laje para que adotasse medidas internas destinadas a evitar novas ocorrências semelhantes.
Outro problema apontado foi a falta de um relatório de gestão no sistema Transferegov. O documento é utilizado para registrar informações relacionadas à execução e à prestação de contas das transferências especiais.
A auditoria, portanto, concentrou-se na forma como os recursos foram movimentados e administrados pelo município.
O que são as chamadas emendas Pix?
As emendas Pix são uma modalidade de transferência especial de recursos públicos determinada por parlamentares.
Nesse modelo, deputados e senadores indicam recursos para estados, Distrito Federal ou municípios, e o dinheiro é transferido diretamente ao ente beneficiado, sem a necessidade de um convênio ou instrumento semelhante com o governo federal.
O mecanismo permite identificar o parlamentar responsável pela indicação e o município que recebeu o dinheiro. Uma das principais discussões envolvendo esse tipo de emenda, porém, é justamente a necessidade de garantir transparência e rastreabilidade sobre a utilização dos recursos depois que eles chegam aos cofres municipais.
É nesse ponto que se concentra a crítica apresentada no relatório do TCU sobre o caso de São José da Laje.
PGR arquivou pedido de apuração contra Alfredo Gaspar
O relatório do TCU serviu de base para um pedido apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) à Procuradoria-Geral da República para que fossem apuradas possíveis irregularidades relacionadas aos recursos destinados por Alfredo Gaspar.
Em maio, porém, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, informou ao parlamentar que o pedido havia sido arquivado.
Segundo a PGR, não havia elementos concretos que indicassem a participação de Gaspar nas possíveis irregularidades identificadas na aplicação dos recursos.
A Procuradoria destacou que a destinação de emendas parlamentares é uma atividade típica de deputados e senadores e que não seria possível presumir o envolvimento do parlamentar em eventuais ilegalidades cometidas durante a execução dos recursos.
A gestão e a prestação de contas do dinheiro recebido, segundo a manifestação citada no caso, cabem ao município beneficiado.
Alfredo Gaspar diz que não é investigado
Em nota, a assessoria de Alfredo Gaspar afirmou que o deputado não é investigado no procedimento relacionado à aplicação dos recursos públicos em São José da Laje.
A equipe do parlamentar declarou ainda que as emendas foram destinadas regularmente ao município, conforme a legislação, e ressaltou que cabe exclusivamente à prefeitura executar os recursos e realizar a prestação de contas.
Segundo a assessoria, os pedidos de esclarecimento feitos pelo TCU foram direcionados à Prefeitura de São José da Laje, e não ao deputado.
“Alfredo Gaspar confia no trabalho dos órgãos de controle e reafirma que seu nome não integra qualquer investigação relacionada ao caso”, informou a assessoria.
Auditoria e responsabilização são coisas diferentes
O caso envolve duas questões que precisam ser separadas.
De um lado, o TCU identificou problemas relacionados à rastreabilidade dos recursos e à documentação da prestação de contas. De outro, a PGR concluiu que não havia elementos concretos suficientes para apontar a participação de Alfredo Gaspar nas possíveis irregularidades.
Assim, o relatório do tribunal não equivale a uma acusação criminal contra o candidato a vice-presidente.
A responsabilidade pela execução dos recursos e pela prestação de contas é um dos pontos centrais da discussão. No caso analisado pelo TCU, os técnicos cobraram providências da prefeitura para melhorar os controles internos e evitar que situações semelhantes se repitam.
Caso ganha dimensão política após escolha de Gaspar
A divulgação do relatório ocorre um dia depois de Alfredo Gaspar ser anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro para a eleição de 2026.
A escolha colocou o deputado alagoano no centro da disputa presidencial e aumentou a atenção sobre sua atuação parlamentar.
O episódio envolvendo as emendas Pix, porém, precisa ser analisado à luz das conclusões dos órgãos envolvidos: o TCU apontou falhas na rastreabilidade e na prestação de contas dos recursos, enquanto a PGR arquivou o pedido de apuração contra Gaspar por falta de elementos que demonstrassem sua participação nas possíveis irregularidades.
Até o momento, portanto, não há indicação no material apresentado de que Alfredo Gaspar tenha sido responsabilizado por irregularidades na execução dos R$ 6,2 milhões destinados a São José da Laje.

