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Mundo – Em meio à onda de calor na Croácia, cavalos ganharam banho de mar, como alternativa refrescante. Na quarta-feira (5), turistas entraram no mar montados nos animais, em uma experiência que combina passeio, contato com a natureza e uma maneira diferente de enfrentar as altas temperaturas.
Segundo pessoas que participaram da atividade, andar a cavalo dentro da água é uma oportunidade de se refrescar enquanto passam tempo com os animais.
A prática também é conhecida pelos cavalos do local. Stiven Razmilic, proprietário do rancho onde a atividade é realizada, contou que a ideia surgiu de uma experiência que ele próprio tinha quando era mais jovem.
“Quando eu era jovem, meu amigo e eu costumávamos vir à praia assim para nos refrescarmos com eles quando não podíamos cavalgar por causa do calor”, afirmou.
Segundo Razmilic, a atividade foi incorporada ao rancho posteriormente e acabou atraindo visitantes interessados em nadar com os cavalos.
Cavalos também se refrescam no mar
Além de proporcionar uma experiência diferente aos turistas, o banho de mar ajuda os animais a lidar com as temperaturas elevadas.
Razmilic afirmou que os cavalos toleram melhor o frio do que o calor e que, por isso, entrar no mar é uma forma de refrescá-los durante os dias quentes.
“Bem, eles certamente também gostam; são animais que toleram melhor o frio do que o calor, então o refresco no mar é perfeito para eles”, disse o proprietário.
A cena foi registrada durante um período de temperaturas extremas em diferentes partes da Europa, onde o calor tem provocado impactos que vão muito além do desconforto.
Onda de calor na Croácia deixou mais de 10 mil mortes acima da média
Enquanto turistas buscavam uma maneira agradável de enfrentar a onda de calor na Croácia, outros países europeus registravam consequências mais graves das temperaturas extremas.
Dados da EuroMOMO, rede apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apontaram 10.650 mortes acima do esperado em 27 países europeus durante a semana de 22 a 28 de junho de 2026.
O chamado “excesso de mortalidade” corresponde à diferença entre o número de mortes observado em determinado período e a quantidade esperada com base em padrões históricos.
Mais de 90% das mortes acima da média registradas naquele período ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais, segundo os dados apresentados pela EuroMOMO.
É importante destacar que o número considera mortes por todas as causas e não significa que todas tenham sido individualmente classificadas como provocadas pelo calor. A análise, contudo, apontou que não havia outros grandes fatores conhecidos que explicassem o pico de mortalidade naquele momento.
Calor extremo é especialmente perigoso para idosos
Temperaturas muito elevadas podem provocar insolação e também agravar problemas cardiovasculares e respiratórios.
Os idosos estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do calor extremo, principalmente quando as temperaturas permanecem elevadas por períodos prolongados.
Lasse Vestergaard, médico-chefe do Statens Serum Institut, da Dinamarca, órgão que abriga a EuroMOMO, classificou o excesso registrado como incomum para o período.
“Registrar esse tipo de excesso nesta época do ano é incomum. É um número realmente alto”, afirmou à Reuters.
Segundo ele, o calor extremo é a explicação mais provável para o aumento observado na mortalidade durante aquela semana.
França e Bélgica registraram os maiores excessos
A EuroMOMO não divulga os números de mortes acima da média individualmente por país. A rede informou, porém, que França e Bélgica foram os únicos países europeus a registrar nível de excesso de mortalidade considerado “muito alto” na última semana de junho.
Na Bélgica, o instituto nacional de saúde pública Sciensano apontou a maior taxa de mortalidade registrada durante uma onda de calor no país desde o ano 2000.
A onda de calor também provocou outros impactos no continente. Houve interrupções no fornecimento de energia, fechamento de escolas e recordes de temperatura em países como França, Espanha e Reino Unido.
Mudanças climáticas tornam ondas de calor mais intensas
Cientistas avaliaram que a onda de calor do fim de junho teria sido praticamente impossível sem a influência das mudanças climáticas provocadas pela atividade humana.
O aquecimento global está associado ao aumento da frequência e da intensidade de eventos de calor extremo, segundo estudos científicos citados pela Reuters.
Um estudo separado estimou ainda milhares de mortes relacionadas ao calor durante as ondas de calor que atingiram Inglaterra e País de Gales em maio e junho.
A análise atribuiu parte dessas mortes ao calor adicional associado ao aquecimento global, reforçando a preocupação de pesquisadores com o impacto das temperaturas extremas sobre a saúde pública.
Entre cavalos no mar e um alerta para a saúde
As imagens dos cavalos entrando no mar na Croácia oferecem uma cena curiosa e refrescante em meio ao verão europeu. Para os animais e seus donos, a água representa uma forma de enfrentar as altas temperaturas.
Mas, fora desse cenário, a onda de calor deixa um alerta bem menos leve. O excesso de mortalidade registrado em diferentes países mostra que temperaturas extremas podem representar um risco significativo, principalmente para pessoas idosas e outros grupos vulneráveis.
Enquanto os cavalos encontram no mar uma maneira de aliviar o calor, as autoridades europeias seguem diante de um desafio maior: adaptar cidades, serviços de saúde e população a episódios de temperaturas extremas que tendem a se tornar mais frequentes e intensos.

