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Mundo – O Irã executou nesta segunda-feira (3) dois cidadãos acusados de espionagem e cooperação com Israel, segundo informações divulgadas pela mídia estatal iraniana. As mortes ocorrem em meio ao aumento das execuções relacionadas a acusações de crimes contra a segurança nacional.
Os executados foram identificados como Omid Behzad e Pouria Safvat. Segundo o Mizan, veículo ligado ao Judiciário do Irã, os dois teriam enviado a Israel coordenadas de instalações militares e de segurança, além de imagens e outras informações.
De acordo com as autoridades iranianas, as atividades atribuídas aos homens teriam ocorrido durante a guerra entre Irã e Israel no ano passado e também durante o conflito mais recente envolvendo o país.
Execuções ocorrem em meio à tensão com Israel
A execução dos dois iranianos acontece em um cenário de forte tensão entre Teerã, Israel e os Estados Unidos.
O Irã acusa Israel e os EUA de ataques realizados durante os conflitos recentes. Ao mesmo tempo, autoridades israelenses afirmam que informações obtidas por meio de fontes dentro do território iraniano ajudaram a localizar alvos durante as operações militares.
Uma fonte familiarizada com a estratégia militar de Israel disse à Reuters, em março, que as forças israelenses tinham como alvo postos de controle operados pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Segundo a fonte, parte das informações utilizadas nas operações teria sido obtida de informantes em solo.
As acusações de espionagem, portanto, estão inseridas em uma disputa militar e de inteligência mais ampla entre os países.
Irã aumentou execuções por acusações de segurança
Organizações internacionais de direitos humanos têm denunciado o aumento das execuções no Irã relacionadas a crimes classificados pelas autoridades como ameaças à segurança nacional.
A Human Rights Watch informou em 24 de julho que pelo menos 50 pessoas haviam sido executadas pelo Irã nos quatro meses anteriores sob acusações consideradas vagas relacionadas à segurança nacional.
Segundo a organização, entre os executados estavam jovens de 18 e 19 anos.
As autoridades iranianas já negaram anteriormente acusações de abusos contra prisioneiros. A missão permanente do Irã em Genebra não respondeu a um pedido de comentário feito pela Reuters sobre as novas execuções.
Tensão entre Irã e Estados Unidos continua
As execuções também acontecem enquanto Irã e Estados Unidos enfrentam dificuldades para avançar nas negociações.
O presidente americano Donald Trump afirmou que conversas com representantes iranianos seriam realizadas nesta segunda-feira (3). O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, porém, afirmou que não havia negociações em andamento com os Estados Unidos naquele momento.
O relacionamento entre Washington e Teerã permanece marcado por uma série de conflitos e tentativas de negociação.
A guerra de 12 dias do ano passado começou em meados de junho, depois que Israel iniciou uma campanha aérea contra o Irã. Os Estados Unidos posteriormente participaram das operações. O conflito terminou após um cessar-fogo mediado pelos americanos.
Novo conflito começou em fevereiro
A atual fase de hostilidades teve início no fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã após semanas de pressão relacionada ao programa nuclear iraniano, aos mísseis balísticos e à repressão aos protestos registrados em janeiro.
Os ataques de maior escala foram interrompidos posteriormente por um acordo de trégua firmado em junho, mas a situação permanece instável.
Trump chegou a ameaçar novas ações militares contra o Irã, mas posteriormente concedeu mais tempo para que as negociações avançassem.
Até agora, as conversas não resultaram em um acordo abrangente entre os países.
Negociações indiretas tiveram avanço limitado
Em 1º de julho, representantes dos Estados Unidos e do Irã viajaram a Doha, no Catar, para participar de negociações indiretas.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, afirmou na ocasião que as delegações haviam registrado “progressos positivos”.
Apesar disso, as divergências entre Washington e Teerã permanecem, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano e às questões de segurança que envolvem Israel e os Estados Unidos.
A execução de Omid Behzad e Pouria Safvat acrescenta mais um elemento de tensão ao cenário. Enquanto o governo iraniano sustenta que os dois atuaram em favor de Israel, organizações de direitos humanos questionam o uso de acusações de segurança nacional em processos que podem resultar em pena de morte.

