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Mundo – Os Estados Unidos interromperam a campanha de bombardeios contra o Irã após 13 dias consecutivos de ataques. A pausa, anunciada pelo presidente Donald Trump, foi acompanhada pela suspensão temporária das ações militares iranianas. Apesar da redução da ofensiva, Teerã afirmou nesta segunda-feira (27) que não pretende retomar negociações de paz com Washington e mantém sua posição sobre o controle do Estreito de Ormuz, um dos corredores marítimos mais estratégicos do mundo.
A trégua ocorre em meio a divergências sobre a navegação na região e após um período de escalada militar que provocou mortes, danos à infraestrutura e impactos no mercado internacional de petróleo.
Pausa foi recomendada por comandantes militares
Segundo uma autoridade americana ouvida pela Reuters, a decisão de Donald Trump levou em consideração a avaliação dos principais comandantes das Forças Armadas dos EUA.
De acordo com a fonte, os militares concluíram que a campanha havia atingido o limite de sua eficácia, já que os principais alvos disponíveis estavam se esgotando.
O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general Dan Caine, também teria manifestado preocupação com a redução dos estoques de armamentos utilizados para proteger as bases militares americanas no Oriente Médio.
Relatos semelhantes foram publicados por veículos como The New York Times, CNN e Axios.
Irã nega retomada das negociações
Embora o embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Mike Waltz, tenha afirmado que a suspensão dos bombardeios busca abrir espaço para negociações, o governo iraniano rejeitou essa versão.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, declarou que Teerã não solicitou a retomada das negociações de paz com Washington.
Além disso, o governo iraniano reafirmou que continua exercendo controle sobre o Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo.
Mercado reage com queda no preço do petróleo
A interrupção da campanha militar reduziu as preocupações sobre o abastecimento global de energia e provocou forte recuo nas cotações do petróleo.
O barril do tipo Brent, que havia ultrapassado brevemente a marca de US$ 100 na semana passada, registrou queda de aproximadamente 7,8%, sendo negociado abaixo de US$ 90 nesta segunda-feira.
Apesar da reação dos mercados, a disputa sobre o controle do Estreito de Ormuz continua sendo um dos principais pontos de tensão entre Washington e Teerã.
Conflito deixou mortos e ampliou tensões na região
Durante quase duas semanas de confrontos, os bombardeios americanos atingiram alvos militares, além de pontes e túneis no sul do Irã, deixando dezenas de mortos.
Em resposta, o Irã lançou ataques contra bases militares dos Estados Unidos em países vizinhos, provocando a morte de quatro militares americanos.
O governo iraniano também informou ter atingido infraestruturas civis em países do Golfo, classificando a ação como resposta aos ataques realizados pelos Estados Unidos.
No mesmo período, os Houthis, grupo aliado do Irã, anunciaram um bloqueio à indústria petrolífera da Arábia Saudita no Mar Vermelho, elevando ainda mais as preocupações sobre o fornecimento global de petróleo.
Estreito de Ormuz segue no centro das negociações
Estados Unidos e Irã haviam firmado, em junho, um acordo preliminar para iniciar negociações até o fim de agosto sobre temas como o programa nuclear iraniano.
Entretanto, as partes divergem sobre a interpretação do memorando relacionado ao Estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos defendem que o documento prevê a garantia da livre navegação internacional. Já o Irã sustenta que o acordo reconhece sua autoridade para supervisionar o trânsito na região.
Segundo a Reuters, Teerã busca formalizar esse controle por meio de um acordo com Omã, país que divide a administração geográfica do estreito. O tema também foi discutido nos últimos dias por representantes de Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
Enquanto isso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deve se reunir com Donald Trump nos próximos dias, em Washington, para discutir os desdobramentos do conflito e da atual trégua.

