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vacinação contra HPV
Reprodução Tomaz Silva/Agência Brasil
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Brasil – A vacinação contra o HPV tem apresentado resultados expressivos no Brasil. Um estudo inédito realizado pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde, revelou que a prevalência dos principais tipos do papilomavírus humano (HPV) caiu quase pela metade entre jovens após a introdução da vacina no Programa Nacional de Imunizações.

Considerada a maior pesquisa sobre a eficácia da vacina contra o HPV já realizada na América Latina, a análise também identificou um efeito indireto de proteção entre pessoas que não receberam o imunizante, reforçando a importância da ampliação da cobertura vacinal.

Estudo comparou dados antes e depois da vacinação

A pesquisa Pop-Brasil analisou amostras coletadas em dois períodos distintos.

Na primeira fase, entre 2016 e 2017, foram avaliados 6.388 participantes não vacinados, de ambos os sexos. Já na segunda etapa, realizada entre 2020 e 2023, o estudo reuniu mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas vacinadas e não vacinadas.

Os resultados mostram que a prevalência de infecção por pelo menos um dos quatro tipos de HPV cobertos pela vacina caiu de 14,98% para 7,95%, uma redução de quase 50%.

Segundo a médica epidemiologista e líder da pesquisa, Eliana Wendland, o foco nos jovens de 16 a 25 anos ocorreu porque essa é a faixa etária com maior incidência do vírus.

“Essa faixa etária é a que tem a maior prevalência de HPV, porque é o início da atividade sexual. Essa faixa etária também foi escolhida porque todo mundo ali já deveria ter sido vacinado.”

Vacina apresentou alta eficácia entre mulheres

Entre meninas e mulheres, os resultados foram ainda mais expressivos.

Na primeira fase da pesquisa, quando apenas pessoas não vacinadas participaram, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pela vacina era de 15,6%.

Na segunda etapa, entre as participantes vacinadas, esse índice caiu para apenas 3,1%.

Além disso, os pesquisadores observaram um fenômeno conhecido como efeito rebanho, quando a vacinação reduz a circulação do vírus e acaba protegendo também pessoas não imunizadas.

Segundo Eliana Wendland:

“Nós também percebemos nas meninas um efeito populacional da vacinação. Mesmo entre aquelas que não foram vacinadas, nós tivemos uma diminuição da prevalência de HPV.”

Entre as mulheres que não receberam a vacina, a prevalência dos quatro subtipos protegidos pelo imunizante foi de 10,5% na segunda fase da pesquisa, percentual inferior ao registrado antes da vacinação em larga escala.

Cobertura vacinal entre homens ainda preocupa

Os resultados também mostraram benefícios entre os homens vacinados.

A prevalência dos quatro subtipos de HPV protegidos pela vacina caiu de 13,8% para 4,6% entre os participantes imunizados.

No entanto, entre os homens que não receberam a vacina, a pesquisa não identificou redução estatisticamente significativa da circulação do vírus.

Segundo os pesquisadores, isso está relacionado à baixa cobertura vacinal masculina. Na pesquisa, apenas 31,1% dos homens estavam vacinados, enquanto entre mulheres esse percentual foi de 61,8%. A meta de cobertura considerada ideal é de 90%.

De acordo com a prévia do artigo científico, muitos meninos ainda recebem menos incentivo para a vacinação, já que o HPV continua sendo associado principalmente ao câncer do colo do útero, embora também possa causar outros tipos de câncer.

Estudo reforça eficácia da vacina oferecida pelo SUS

Outro dado importante identificado pela pesquisa foi que, mesmo com o aumento da prevalência geral do HPV na população, os quatro subtipos combatidos pela vacina continuaram em queda.

Enquanto a prevalência geral do vírus passou de 46,7% para 56,6%, os tipos protegidos pelo imunizante apresentaram redução significativa.

Os pesquisadores também encontraram evidências de que o esquema atual adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com apenas uma dose, mantém a eficácia esperada. O estudo não encontrou diferenças relevantes na prevalência do vírus entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses da vacina.

Quem pode receber a vacina contra HPV

A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e passou a incluir também os meninos em 2017. Em 2024, o esquema vacinal foi simplificado para dose única.

Atualmente, a vacina é indicada para:

  • crianças e adolescentes de 9 a 14 anos;
  • pessoas imunossuprimidas;
  • vítimas de violência sexual;
  • usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP);
  • pessoas que já tiveram lesões precursoras do câncer do colo do útero.

O HPV, sigla para papilomavírus humano, é o principal causador do câncer do colo do útero, mas também está associado a tumores no pênis, ânus e garganta. A vacina disponibilizada pelo SUS protege contra os quatro principais subtipos oncogênicos do vírus.

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