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Após três encalhes, cachalote-pigmeu permanece em tratamento intensivo em Cabo Frio
Foto Divulgação - Instituto Albatroz.
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O cachalote-pigmeu (Kogia sp.) resgatado após registrar três episódios de encalhe na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, permanece clinicamente estável e segue em tratamento intensivo no Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) do Instituto Albatroz após ser resgatada na quarta-feira (22). Nesta sexta-feira (24), as equipes responsáveis divulgaram uma atualização sobre o estado de saúde do animal, que ainda não tem previsão de retorno ao mar.

Durante a noite, a fêmea adulta apresentou estabilização do padrão respiratório e respondeu adequadamente aos estímulos externos. O monitoramento permanece ininterrupto, com pelo menos dois profissionais auxiliando na manutenção do posicionamento e da estabilidade do animal dentro do tanque de reabilitação.

A equipe também realizou a coleta de amostras para exames hematológicos, bioquímicos e microbiológicos, que serão fundamentais para identificar possíveis alterações sistêmicas, processos infecciosos, metabólicos ou inflamatórios que possam estar relacionados aos sucessivos episódios de encalhe.

Lesões compatíveis com mordidas de tubarão-charuto

Durante a avaliação clínica, os veterinários identificaram lesões cutâneas recentes com características morfologicamente compatíveis com mordidas de tubarão-charuto (Isistius brasiliensis). As áreas afetadas passaram por higienização e receberam tratamento medicamentoso tópico.

Além dessas lesões, o animal também apresentou escoriações na região ventral após um novo episódio de encalhe, provocadas, provavelmente, pelo atrito com a areia da praia.

No momento do primeiro resgate, o cachalote-pigmeu apresentava cerca de três metros de comprimento, peso estimado em 350 quilos e condição corporal considerada moderada.

Causa dos encalhes ainda é investigada

Apesar dos três registros consecutivos de encalhe envolvendo o mesmo animal, os especialistas afirmam que ainda não é possível determinar a causa do comportamento.

Segundo as equipes responsáveis, a recorrência pode indicar comprometimento da capacidade de natação, orientação ou permanência em águas mais profundas, possivelmente em decorrência de debilidade, exaustão ou alguma alteração sistêmica. No entanto, todas essas possibilidades ainda permanecem como hipóteses e dependem dos resultados dos exames laboratoriais para confirmação.

Resgate mobilizou diversas instituições

A operação foi coordenada pelo Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos da Região dos Lagos (GEMM-Lagos), com apoio do Instituto Albatroz, dentro do Projeto de Monitoramento de Praias das Bacias de Campos e Espírito Santo (PMP-BC/ES).

Também participaram da ação equipes da Prefeitura de Cabo Frio, por meio da Secretaria de Segurança e Ordem Pública, Defesa Civil, Grupamento da Guarda Marítima e Ambiental (GMA) e Guarda Civil Municipal, além do Corpo de Bombeiros.

Após o resgate, o animal foi transportado pela faixa de areia em uma carreta e, posteriormente, levado em caminhão frigorífico até o Centro de Reabilitação e Despetrolização do Instituto Albatroz. No local, recebeu medicação, foi estabilizado em um tanque com capacidade para 100 mil litros de água e permanece sob cuidados conjuntos das equipes do GEMM-Lagos, Instituto Albatroz, Instituto ORCA e Instituto Baleia Jubarte.

Todo o trabalho integra a Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Sudeste (REMASE), responsável por ações de atendimento e reabilitação de mamíferos marinhos na região.

Soltura dependerá da recuperação clínica

Ainda não existe previsão para que o cachalote-pigmeu seja devolvido ao ambiente natural. Segundo os responsáveis pelo tratamento, essa decisão dependerá da evolução clínica do animal, da normalização dos exames laboratoriais, da ausência de infecções ativas e da recuperação da capacidade de alimentação e de natação.

Enquanto isso, o protocolo de reabilitação continuará sendo ajustado conforme os resultados dos exames e a resposta clínica apresentada nos próximos dias.

Orientação à população

As equipes reforçam que qualquer mamífero marinho encontrado encalhado, vivo ou morto, na Região dos Lagos deve ser comunicado imediatamente ao Projeto de Monitoramento de Praias das Bacias de Campos e Espírito Santo (PMP-BC/ES), pelo telefone 0800 991 4800.

A orientação é que as pessoas não toquem, não tentem mover o animal e permaneçam próximas apenas para evitar aglomerações e acionar rapidamente as equipes especializadas, reduzindo o estresse e aumentando as chances de sobrevivência do animal.

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