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Mundo – A China voltou a rejeitar acusações de interferência em processos eleitorais de países ocidentais após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o governo chinês obteve ilegalmente dados de milhões de eleitores americanos. As declarações foram feitas durante um pronunciamento à nação na quinta-feira (16), em que Trump apresentou documentos desclassificados sobre supostas vulnerabilidades do sistema eleitoral dos EUA.
Pequim, no entanto, mantém a posição adotada nos últimos anos de negar qualquer envolvimento em eleições estrangeiras e afirma que o tema faz parte dos assuntos internos dos Estados Unidos.
China afirma que nunca interferiu em eleições americanas
As negativas do governo chinês não são recentes. Em 2020, após autoridades de inteligência dos Estados Unidos alertarem que China, Rússia e Irã poderiam tentar influenciar a eleição presidencial por meio de campanhas de desinformação e outras estratégias, o Ministério das Relações Exteriores da China classificou as acusações como infundadas.
Na ocasião, o porta-voz Zhao Lijian afirmou:
“A China nunca interferiu nelas e não tem interesse em fazê-lo no futuro. Ao mesmo tempo, temos dito repetidamente que aqueles nos EUA devem parar imediatamente com o artifício de arrastar a China para a sua política interna.”
Além dos Estados Unidos, a China também já negou acusações semelhantes feitas por países como Canadá, Austrália e Reino Unido.
Trump acusa China de obter dados de eleitores
Durante o pronunciamento, Trump afirmou que a China teria realizado o “maior comprometimento de dados eleitorais da história” ao obter ilegalmente informações de cerca de 220 milhões de eleitores americanos.
Segundo o presidente, os dados incluiriam nomes, informações de contato, preferências partidárias e outros dados considerados sensíveis.
Trump também alegou que o governo chinês teria atuado para influenciar as eleições presidenciais de 2020 e as eleições legislativas de 2018, além de tentar enfraquecer seu primeiro mandato por meio de contatos com empresas americanas e influência sobre parte da imprensa.
Documentos apontam vulnerabilidades, mas não fraude eleitoral
As declarações de Trump foram acompanhadas da divulgação de documentos desclassificados pela Casa Branca sobre a segurança eleitoral dos Estados Unidos.
Segundo o governo americano, o objetivo da divulgação é identificar vulnerabilidades e fortalecer a proteção das próximas eleições legislativas.
No entanto, os documentos divulgados não apresentam evidências de que os resultados das eleições presidenciais de 2020 tenham sido alterados por fraude ou por interferência estrangeira. De acordo com autoridades da Casa Branca, o material busca tratar de riscos futuros, e não reavaliar o resultado de pleitos anteriores.
Parte significativa dos documentos reúne informações que já eram conhecidas pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos, embora alguns arquivos tragam novos detalhes sobre investigações relacionadas à segurança eleitoral.

