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Política – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), evitou assumir um compromisso público com um calendário para a tramitação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A postura do senador aumentou a preocupação de aliados do governo, que temem a abertura de uma chamada “pauta-bomba” no Senado, com a inclusão de projetos de forte impacto fiscal.
Segundo informações de bastidores, Alcolumbre se reuniu com governistas antes de discursar sobre o tema no plenário na terça-feira (9). Durante a conversa, ele teria apresentado uma lista de propostas em tramitação na Casa, muitas delas relacionadas a pisos salariais e jornadas de trabalho de diferentes categorias profissionais.
Senado ainda não definiu calendário para a PEC 6×1
A PEC do fim da escala 6×1 ainda precisa ser enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para começar a tramitar formalmente no Senado. No entanto, Alcolumbre sinalizou que pretende segurar o avanço da proposta por mais algum tempo.
Na avaliação de aliados do governo, o presidente do Senado deixou claro que não pretende tratar apenas da PEC da jornada 6×1 de forma isolada. A preocupação é que, ao abrir espaço para essa votação, outras propostas com impacto bilionário também passem a ser pressionadas por categorias organizadas.
Alcolumbre cita 31 projetos sobre jornada e pisos salariais
Durante discurso no plenário, Alcolumbre afirmou que o Senado tem atualmente 31 projetos relacionados a jornada de trabalho e pisos de remuneração de diferentes categorias.
Ele argumentou que não poderia ser “seletivo” ao pautar apenas uma proposta e alertou para os riscos fiscais de aprovar medidas dessa natureza em ano eleitoral.
“Eu não posso ser seletivo. Então, em um ano de eleição, isso aqui é muito complexo. Se botar para votar isso aqui, todo mundo vai votar sim por conta da eleição e vai ter que arrumar ‘dez Brasil’ para pagar”, declarou o senador.
A fala foi interpretada por governistas como um recado de que a pressão pela PEC do fim da escala 6×1 pode acabar destravando outras matérias de grande custo para os cofres públicos.
Governo teme avanço de uma pauta de impacto fiscal
No Palácio do Planalto, o receio é que o Senado passe a votar projetos que ampliem despesas obrigatórias da União, estados e municípios, como reajustes salariais e novos pisos profissionais.
Esse tipo de conjunto de propostas costuma ser chamado, no jargão político, de “pauta-bomba”, por potencialmente elevar gastos públicos e dificultar o equilíbrio fiscal defendido pela equipe econômica.
A preocupação ocorre em um momento em que o governo busca manter controle sobre as contas públicas e evitar novas pressões sobre o orçamento.
Relação entre Alcolumbre e governo segue desgastada
Além do debate sobre a PEC 6×1, o impasse também reflete o desgaste recente na relação entre Alcolumbre e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo aliados do senador, houve irritação com a condução das negociações políticas pelo Palácio do Planalto. Embora a relação com o ministro da articulação política tenha melhorado, interlocutores afirmam que ainda há ruídos com parte da liderança governista no Senado.
Reservadamente, aliados de Alcolumbre dizem que o senador espera gestos mais diretos do próprio presidente Lula para recompor a relação política.
O que é a PEC do fim da escala 6×1
A proposta em discussão pretende alterar a Constituição para reduzir a jornada de trabalho atualmente praticada em diversos setores, substituindo o modelo de seis dias trabalhados para um de descanso.
O tema ganhou força nas redes sociais e passou a mobilizar centrais sindicais, trabalhadores e parte da base governista. Empresários e representantes do setor produtivo, por outro lado, demonstram preocupação com possíveis impactos sobre custos e geração de empregos.
Até o momento, não há previsão oficial para o início da tramitação da PEC no Senado.

