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Educação – A literatura infantil vem ganhando protagonismo no debate sobre educação antirracista ao ser apontada como ferramenta capaz de combater estereótipos, fortalecer identidades e reparar impactos do racismo vividos por crianças dentro das escolas. Para especialistas, o tema vai além da representatividade e envolve acolhimento, pertencimento e direito à infância.
A discussão ganhou força com o lançamento do livro Por Que Não Existe Flor Preta, da escritora e educadora Janine Rodrigues, que defende práticas pedagógicas permanentes voltadas à valorização da diversidade racial.
Racismo pode impactar autoestima e infância de crianças negras
Segundo Janine Rodrigues, o racismo estrutural interfere diretamente na experiência escolar de crianças negras, criando situações que antecipam vivências de exclusão e vigilância.
A educadora chama atenção para o fenômeno conhecido como “descriançar”, quando crianças passam a agir de forma hipervigilante, evitando comportamentos espontâneos para reduzir situações de rejeição ou preconceito.
Para ela, o desafio da educação antirracista está em devolver humanidade às crianças e ampliar repertórios positivos sobre a população negra.
“A educação antirracista não está atrelada somente a trazermos as mazelas e dores, mas sim em contribuir com repertórios da história e contribuições do povo negro para as sociedades”, afirmou.
Livro usa botânica e simbolismo para discutir preconceito
A obra Por Que Não Existe Flor Preta utiliza elementos da botânica, história e literatura para abordar o racismo de forma acessível ao público infantil.
Publicado inteiramente em preto e branco, o livro busca ressignificar associações negativas historicamente ligadas à cor preta e estimular reflexões sobre linguagem e discriminação.
A autora explica que a proposta surgiu após relatos de crianças negras que enfrentavam situações de racismo relacionadas a brincadeiras e frases preconceituosas repetidas no ambiente escolar.
Além disso, a narrativa incorpora referências históricas, como a camélia, símbolo associado ao movimento abolicionista brasileiro.
Educação antirracista exige trabalho contínuo
Para Janine, projetos pontuais não são suficientes para combater o racismo nas escolas.
A especialista defende ações permanentes, integradas ao cotidiano escolar, com participação de professores, gestores, estudantes e famílias.
Ela alerta que respostas superficiais ou intervenções imediatistas podem ignorar os efeitos prolongados da discriminação sobre crianças que vivenciam episódios racistas.
Segundo a educadora, criar ambientes seguros depende de acolhimento, escuta e continuidade pedagógica.
Famílias e ambiente digital ampliam desafios
Outro ponto destacado pela autora é a participação das famílias no processo educativo.
Ela defende que a literatura pode funcionar como ponte entre escola e responsáveis, facilitando conversas sobre preconceitos e comportamentos reproduzidos fora da sala de aula.
A preocupação também se estende ao ambiente digital, onde conteúdos discriminatórios podem circular de forma disfarçada em memes, brincadeiras e tendências online.
Especialistas apontam que práticas antirracistas precisam ser construídas de maneira coletiva, envolvendo escola, família, redes sociais e espaços de convivência.

