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Brasil – Uma mulher egípcia grávida de 36 semanas e seus dois filhos pequenos foram autorizados a entrar no Brasil nesta quinta-feira (7), após passarem quase um mês retidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A família havia chegado ao país no dia 8 de abril, vinda da Arábia Saudita, mas teve a entrada impedida pelas autoridades migratórias brasileiras.
Família ficou alojada em hotel na área restrita
Durante o período de retenção, a mulher e as crianças permaneceram hospedadas em um hotel localizado dentro da área restrita do aeroporto, sem autorização para deixar o local.
Segundo o advogado da família, entidades de defesa dos direitos de migrantes irão acolher a gestante e os filhos após a liberação.
O marido, Abdallah Montaser, de 31 anos, segue retido enquanto aguarda a análise de um pedido de visto humanitário.
Egípcio foi barrado por classificação de risco
De acordo com a defesa, Montaser foi classificado pelas autoridades brasileiras como “indivíduo perigoso”, com base na Portaria 770/2019 do Ministério da Justiça.
A norma prevê restrições para pessoas ligadas a terrorismo, organizações criminosas, tráfico internacional e outros crimes graves.
O engenheiro civil nega qualquer envolvimento com atividades ilícitas. Segundo relatos apresentados pela defesa, ele foi condenado no Egito após participar de manifestações contra o governo do presidente Abdel Fattah al-Sisi em 2015.
Após deixar o Egito, a família passou a viver no Bahrein antes de tentar recomeçar a vida no Brasil.
Gestante precisou de atendimento médico
Durante o período em que esteve retida no aeroporto, a mulher precisou ser levada ao hospital após sentir fortes dores abdominais.
Segundo a defesa, ela foi diagnosticada com infecção urinária, o que aumentou a preocupação com a permanência da família em área restrita do aeroporto.
O estado avançado da gestação foi um dos argumentos usados para pedir autorização de entrada no país.
Caso chegou à Câmara dos Deputados
A situação da família passou a ser acompanhada pela Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados.
A presidente da comissão, Alice Portugal, enviou ofícios ao Ministério da Justiça e ao Itamaraty solicitando medidas humanitárias e atendimento médico adequado.
O colegiado também pediu garantia de condições dignas para permanência da família e análise do caso sob perspectiva de direitos humanos.
Entre corredores de embarque, malas acumuladas e portas automáticas que nunca levavam para fora, a família viveu quase um mês em uma espécie de limbo aéreo, suspensa entre fronteiras, documentos e esperança.

