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A mais recente rodada da pesquisa Genial/Quaest para o governo do Pará revela um cenário político complexo, marcado por uma combinação de alta aprovação do atual grupo no poder, disputa acirrada entre pré-candidatos e um volume expressivo de eleitores ainda indecisos. O candidato que está em maior vantagem é o Dr. Daniel Santos, porém com muito esforço. O levantamento, realizado entre os dias 21 e 25 de abril de 2026 com 900 entrevistados, aponta tendências relevantes para a sucessão estadual e indica que, embora exista capital político consolidado, o resultado da eleição permanece em aberto.
Aprovação elevada e capital político de Helder Barbalho
No centro do cenário eleitoral está Helder Barbalho, que deixou o cargo para disputar o Senado e, segundo a pesquisa, mantém forte influência sobre o eleitorado paraense. Um dos dados mais expressivos do levantamento mostra que 56% dos eleitores acreditam que Barbalho merece eleger um sucessor, enquanto 34% discordam e 10% não souberam opinar.
Esse número dialoga diretamente com outro indicador relevante: 63% de aprovação da gestão estadual, contra 27% de desaprovação. A combinação desses dois fatores sugere que o atual grupo político chega competitivo à disputa, com capacidade de transferir parte do apoio acumulado ao longo dos últimos anos.
A influência de Barbalho ganha ainda mais relevância diante do contexto institucional. Impedido de disputar um terceiro mandato consecutivo, ele deixou o governo, abrindo espaço para sua vice, Hana Ghassan, assumir o comando do estado e, potencialmente, disputar a reeleição com a máquina administrativa a seu favor.
Disputa acirrada: empate técnico marca a corrida pelo governo
Apesar da vantagem estrutural do grupo governista, a pesquisa mostra que a corrida eleitoral está longe de ser definida. Hana Ghassan aparece em empate técnico com Daniel Santos, do Podemos, tanto nos cenários de primeiro turno quanto em simulações de segundo turno.
No principal cenário estimulado, Daniel Santos registra 22%, enquanto Hana Ghassan aparece com 19%. Em uma segunda simulação, o placar é de 24% contra 22%, respectivamente — sempre dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
Outros nomes aparecem com menor expressão eleitoral, como Mário Couto, Araceli Lemos e Cléber Rabelo, indicando uma disputa ainda concentrada entre dois polos principais.
No eventual segundo turno, Daniel Santos aparece numericamente à frente, com 34% contra 29% de Hana Ghassan, mas novamente dentro de um cenário de incerteza, com 25% de indecisos.
O fator decisivo: indecisos dominam o eleitorado
Se há um elemento que define o atual estágio da eleição no Pará, é o alto nível de indefinição do eleitorado. Na pesquisa espontânea — quando não são apresentados nomes — 85% dos entrevistados não souberam indicar um candidato.
Mesmo nos cenários estimulados, os indecisos continuam representando uma parcela significativa, variando entre 30% e 33%, além de percentuais relevantes de votos brancos e nulos.
Outro dado reforça essa volatilidade: 67% dos eleitores afirmam que ainda podem mudar de voto, enquanto apenas 31% dizem ter uma decisão definitiva.
Esse conjunto de indicadores revela uma eleição ainda em fase inicial de consolidação, em que o reconhecimento de nomes, o desempenho de campanha e o contexto político nacional podem alterar significativamente o cenário.
Conhecimento e rejeição: quem larga na frente?
A pesquisa também analisou o grau de conhecimento dos candidatos entre o eleitorado, um fator decisivo em disputas com alto índice de indecisão.
Daniel Santos apresenta 26% de eleitores que o conhecem e votariam nele, enquanto 15% o conhecem, mas não votariam. Já Hana Ghassan tem 24% de potencial de voto e 21% de rejeição entre os que a conhecem.
Os números indicam um equilíbrio não apenas nas intenções de voto, mas também na percepção pública, com ambos os principais nomes ainda em processo de consolidação junto ao eleitorado.
Senado: Helder lidera e reforça protagonismo
Além da disputa pelo governo, a pesquisa também mediu o cenário para o Senado. Helder Barbalho aparece como o nome mais citado, com cerca de 22% a 24% das intenções de voto nos cenários apresentados.
Na sequência, surgem Éder Mauro e outros nomes com percentuais menores, indicando que a disputa para as duas vagas também permanece aberta.
Metodologia e leitura do cenário
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada presencialmente, com 900 eleitores, margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral.
Mais do que uma previsão de resultado, os dados oferecem um retrato do momento político: um estado em que o grupo governista mantém força e aprovação, mas enfrenta uma oposição competitiva e um eleitorado altamente volátil.
Entre a força do governo e a incerteza do eleitor
O cenário revelado pela Quaest no Pará combina três elementos centrais: a influência ainda dominante de Helder Barbalho, o equilíbrio entre os principais pré-candidatos e o peso decisivo dos indecisos.
Se, por um lado, há sinais claros de continuidade política, por outro, a elevada taxa de indefinição indica que a eleição de 2026 no estado está longe de ser resolvida. O jogo permanece aberto — e deve ser definido menos pela herança política e mais pela capacidade de mobilização ao longo da campanha.
