Pilili é o novo mascote das eleições Foto: Divulgação
Pilili é o novo mascote das eleições Foto: Divulgação
Getting your Trinity Audio player ready...

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu transformar um dos sons mais familiares da democracia brasileira em símbolo institucional. Ao lançar a mascote Pilili, inspirada na urna eletrônica, a Justiça Eleitoral inaugura uma estratégia inédita de comunicação para as eleições de 2026: falar com o eleitor, especialmente o jovem, por meio de uma linguagem acessível, visual e emocional.

A iniciativa marca os 30 anos da urna eletrônica no Brasil e ocorre em um contexto sensível, em que confiança no sistema eleitoral, combate à desinformação e engajamento cívico se tornaram desafios centrais.

O nascimento de um símbolo eleitoral

A Pilili foi apresentada oficialmente em 4 de maio de 2026, durante uma cerimônia em Brasília que celebrou três décadas do sistema eletrônico de votação. Mais do que uma ação comemorativa, o lançamento foi planejado como uma ferramenta estratégica de comunicação institucional.

A personagem é uma representação estilizada da urna eletrônica — equipamento que se consolidou como um dos pilares do processo democrático brasileiro. Seu nome, “Pilili”, não é aleatório: trata-se de uma onomatopeia que remete ao som emitido pela urna no momento da confirmação do voto, um elemento reconhecível por milhões de brasileiros.

A escolha reforça um conceito-chave: aproximar o eleitor de um sistema que, embora tecnológico, precisa ser compreendido como acessível e confiável.

Uma mascote sem gênero e com missão política (no sentido democrático)

Diferente de personagens tradicionais de campanhas públicas, a Pilili foi concebida sem gênero definido. A decisão não é apenas estética, mas simbólica: a mascote nasce de uma máquina e, portanto, representa neutralidade — um valor central para a Justiça Eleitoral.

Descrita pelo próprio TSE como “defensora da democracia”, “acessível” e “imparcial”, a personagem terá papel ativo nas campanhas educativas do órgão. Sua função será incentivar o voto consciente, explicar o funcionamento do sistema eleitoral e estimular a participação cidadã.

Sem voz própria, a comunicação da Pilili ocorre por meio de gestos, expressões visuais e conteúdos gráficos — uma escolha alinhada ao consumo digital contemporâneo, especialmente nas redes sociais.

Estratégia: conquistar o eleitor jovem

O lançamento da mascote não é apenas simbólico — ele responde a um desafio concreto. O TSE busca ampliar o engajamento de jovens, grupo para o qual o voto é facultativo a partir dos 16 anos.

A Pilili surge como ponte entre a linguagem institucional e o universo digital. A proposta é clara: transformar um tema técnico — o funcionamento das urnas e o processo eleitoral — em algo compreensível, leve e compartilhável.

A personagem deve percorrer o país em ações presenciais e campanhas digitais, reforçando a ideia de que votar não é apenas um dever, mas um ato de participação ativa na sociedade.

Essa estratégia dialoga com modelos já consolidados no Brasil, como o personagem Zé Gotinha nas campanhas de vacinação, que ajudou a popularizar informações de saúde pública por meio de uma figura lúdica.

Entre confiança e desinformação

A criação da Pilili também acontece em meio a um cenário de disputa narrativa sobre o sistema eleitoral brasileiro. Nos últimos anos, questionamentos — muitas vezes baseados em desinformação — colocaram a confiabilidade das urnas eletrônicas no centro do debate público.

Durante o evento de lançamento, a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, reforçou a segurança do sistema, destacando sua auditabilidade e autonomia no registro do voto.

Nesse contexto, a mascote funciona também como ferramenta de “tradução institucional”: simplificar conceitos técnicos e reforçar a confiança do eleitor por meio de comunicação direta.

A estética da democracia: política também se comunica

A Pilili representa uma mudança de paradigma na comunicação pública. Se antes o discurso institucional era predominantemente formal e distante, agora ele incorpora elementos de branding, design e storytelling.

Ao adotar uma mascote, o TSE reconhece que a disputa pela atenção do cidadão ocorre no mesmo ambiente das redes sociais, onde linguagem visual, identificação emocional e viralização são determinantes.

Não por acaso, poucas horas após o lançamento, a personagem já circulava intensamente nas redes — inclusive como meme.

Essa repercussão, embora muitas vezes humorística, amplia o alcance da mensagem institucional e insere o tema eleitoral no cotidiano digital.

30 anos de urna eletrônica: contexto e legado

A criação da Pilili está diretamente ligada a um marco histórico. Em 2026, o Brasil celebra três décadas da implementação da urna eletrônica — sistema que revolucionou a apuração de votos ao reduzir fraudes, acelerar resultados e ampliar a transparência do processo.

Ao associar a mascote a essa comemoração, o TSE não apenas resgata o passado, mas projeta o futuro: um sistema que precisa continuar sendo compreendido, defendido e utilizado por novas gerações.

O desafio daqui para frente

A eficácia da Pilili ainda será testada nas eleições de 2026. Seu sucesso dependerá da capacidade de engajar o público, traduzir informações complexas e, sobretudo, fortalecer a confiança no processo democrático.

Mais do que um personagem, a mascote se apresenta como uma ferramenta de comunicação política em seu sentido mais amplo: conectar instituições e cidadãos.

Se conseguirá cumprir esse papel, só o processo eleitoral dirá. Mas uma coisa já é certa: o “pilili” da urna, que antes marcava apenas o fim do voto, agora também marca o início de uma nova estratégia de diálogo entre a Justiça Eleitoral e a sociedade brasileira.

Publicidade

Destaques ISN

Relacionadas

Menu