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Mundo – Veículos blindados e uma peça de artilharia da Coreia do Norte foram avistados perto da fronteira com a Coreia do Sul nesta segunda-feira (26), em meio ao agravamento das tensões entre os dois países. A movimentação militar ocorre após um incidente envolvendo uma explosão de mina terrestre na Zona Desmilitarizada, cuja responsabilidade é contestada pelas duas nações.
Uma testemunha da agência Reuters, posicionada em um observatório sul-coreano com vista para a região, relatou ter visto três veículos blindados norte-coreanos e uma peça de artilharia autopropulsada próximos à divisa. Os canos das armas estavam voltados para o sul.
A testemunha também observou entre 20 e 30 soldados norte-coreanos trabalhando na instalação de cercas dentro da Zona Desmilitarizada, área que separa os dois países.
Artilharia é vista perto da divisa
A agência de notícias sul-coreana Yonhap identificou a peça de artilharia como um obuseiro autopropulsado de 122 milímetros. Segundo a agência, a presença desse tipo de equipamento nas proximidades da fronteira representa uma exibição pública incomum.
A movimentação acontece em uma região marcada por forte presença militar e por disputas relacionadas às obras realizadas pela Coreia do Norte nas proximidades da linha que divide a península coreana.
Nos últimos anos, tropas norte-coreanas têm construído estradas, instalado cercas e colocado minas terrestres perto da Linha de Demarcação Militar.
Coreias trocam acusações sobre explosão de mina
A tensão aumentou após uma explosão registrada em 21 de setembro na Zona Desmilitarizada. Em documento enviado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas na semana anterior, a Coreia do Sul afirmou que a explosão foi provocada por uma mina instalada por militares norte-coreanos, o que representaria uma violação do Acordo de Armistício da Guerra da Coreia.
O Comando das Nações Unidas declarou que a presença de uma mina norte-coreana além da linha de demarcação constitui uma violação do armistício. Pyongyang, porém, nega responsabilidade pelo episódio.
No domingo (25), a Coreia do Norte enviou uma carta ao Conselho de Segurança da ONU reiterando a acusação de que Seul teria fabricado o incidente. Segundo o governo norte-coreano, a iniciativa sul-coreana teria como objetivo apresentar as obras realizadas por Pyongyang na fronteira como uma incursão militar.
Na mesma manifestação, o governo norte-coreano afirmou que possíveis violações de sua soberania poderiam levar a medidas de autodefesa e responsabilizou a Coreia do Sul pelas eventuais consequências.
Seul propõe diálogo para reduzir a tensão
O governo sul-coreano propôs a realização de conversas para diminuir as tensões na fronteira.
Seul também afirma que emite avisos sonoros e realiza disparos de advertência quando soldados norte-coreanos atravessam a Linha de Demarcação Militar, que divide a Zona Desmilitarizada.
A área permanece como um dos principais pontos de tensão entre as duas Coreias, que continuam tecnicamente em estado de guerra, já que o conflito de 1950 a 1953 terminou com um armistício, e não com um tratado de paz definitivo.

