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Democracia: ruim com ela, muito pior sem ela.                     

 

Nesta semana foi dada a largada da campanha eleitoral de 2026. Largada oficial. Porque esta campanha começou na verdade no dia seguinte do segundo turno das eleições de 2024. Todos de ressaca naquela segunda-feira. Alguns celebrando vitórias. Outros chorando derrotas. Mas todos começando os conchavos, as lambanças, as poupanças e as vinganças.

Quem observa as manobras de governistas e oposicionistas com atenção não tem nenhuma dúvida. O país caminha para o buraco. As ações dos candidatos lembram aquela cena do filme em que os passageiros do Titanic discutem a cor das roupas no baile do dia seguinte. Que não aconteceu porque o navio naufragou.

Há dois partidos no Brasil: o dos que estão no poder e o dos que estão fora e querem entrar. Quem está dentro pinta um quadro colorido e completamente irreal da realidade. Quem está fora propõe soluções simplistas – e completamente irrealizáveis  – para problemas complexos e cada vez mais insuportáveis.

O governo federal acena com números da economia que irritam empresários e trabalhadores endividados. O governo paulista acena com números da segurança pública que irritam a elite e o subúrbio intimidados e assustados.

Nesta semana o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, cada vez mais parecido com o vilão Lex Luthor, inimigo do Super-Homem, disse que o sistema eleitoral brasileiro faliu. Tem um caminhão de razões.

As vergonhosas emendas parlamentares e o mais vergonhoso ainda Fundo Eleitoral criaram uma casta no Brasil. Repito: uma casta. Com as emendas, deputados e dirigentes partidários vão colecionando e amarrando apoios de prefeitos, vereadores e governadores nos 4 anos entre as eleições. Com os bilhões do Fundo compram impulsos nas redes sociais e inundam as ruas de publicidade com conteúdos falsos cuidadosamente embalados pelos mestres do marketing político.      

O eleitor fica sem alternativa, varrido pelo tsunami dessa onipresença fertilizada pelo dinheiro público. Não há renovação de ideias. O Congresso se transforma num oceano de botox e de tinturas de cabelos. Deputados e senadores não envelhecem. Eternizam-se como vampiros sugando o sangue com que pagamos impostos.   

Os políticos com mandatos e os dirigentes partidários fizeram uma apropriação indébita da vida pública brasileira. Estão se lixando para o que os jornalistas falam deles e dando uma banana para os eleitores.

Jaques Vagner, enrolado até o pescoço no escândalo Master pede votos para o Senado e lidera as pesquisas na Bahia. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, auto-exilado ou foragido nos Estados Unidos teve o desplante de dizer que tudo bem se o Brasil virasse terra arrasada desde que ele tivesse a sua vingança. O amigo dele, Paulo Figueiredo, disse que a mulher brasileira solteira vota mal e a casada um pouco melhor porque segue o voto do marido. Não está nem aí para o fato das mulheres terem maioria folgada de 53% no eleitorado.

Qual a saída? Embarcar num avião para fora do país, como já fizeram mais de 5 milhões de brasileiros?

Nananinaninanão !!!

O ex-deputado Koyu Iha, também ex-prefeito de São Vicente (SP), do alto da sua sabedoria octogenária, diz que a solução é caprichar no voto para deputado federal e senador. São eles que podem mudar esse quadro sombrio e começar a mãe de todos as reformas: a política.

O cenário é sombrio mas tem um aspecto positivo: a mudança depende só de nós. Pelo voto. O ex-primeiro- ministro inglês Winston Churchill ainda não era octogenário quando disse, em 1947, que “a democracia é a pior forma de governo com exceção de todas as outras que foram experimentadas ao longo do tempo”.

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