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Política – O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Ministério da Justiça explique, em até dez dias, por que ainda não foi concluída a entrega à Rússia do espião russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, preso no Brasil desde 2022.
A decisão foi tomada pelo ministro Luiz Fux na quinta-feira (20), após a defesa do russo pedir informações sobre o andamento do processo. Cherkasov está preso na Penitenciária Federal de Brasília e cumpre pena até 2027.
Governo terá dez dias para explicar situação
Na decisão, Fux considerou o tempo transcorrido desde o encerramento do processo de extradição e determinou que o Ministério da Justiça informe ao STF sobre o andamento da entrega de Cherkasov ao governo russo.
O caso, porém, envolve uma etapa que depende do Poder Executivo. Segundo integrantes do Ministério da Justiça ouvidos pela CNN Brasil, o processo está em análise e cabe ao governo federal decidir sobre o momento da eventual entrega.
A situação ganhou ainda mais complexidade porque Cherkasov também é alvo de interesse dos Estados Unidos.
Quem é o espião russo preso no Brasil
Sergey Vladimirovich Cherkasov foi preso pela Polícia Federal em 2022 utilizando documentos falsos. No Brasil, ele se apresentava como Victor Muller, usando uma identidade brasileira.
Durante o período em que viveu no país, chegou a frequentar aulas de forró e mantinha uma rotina que, segundo as investigações, ajudava a sustentar sua identidade falsa.
Cherkasov foi detido ao tentar desembarcar em Amsterdã, na Holanda, utilizando um passaporte brasileiro adulterado. Ele pretendia assumir um estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI), justamente quando a corte começava a investigar possíveis crimes de guerra cometidos pela Rússia na Ucrânia.
Rússia e Estados Unidos disputam possível extradição
A Rússia foi o primeiro país a solicitar a extradição de Cherkasov. O governo russo afirmou que ele era procurado por tráfico internacional.
Documentos foram enviados ao Brasil e analisados pela Polícia Federal. Segundo a reportagem, os investigadores não conseguiram confirmar a autenticidade das informações apresentadas e avaliaram a possibilidade de que o pedido fosse uma tentativa de recuperar o agente.
Posteriormente, os Estados Unidos também demonstraram interesse no russo. Informações atribuídas à CIA indicaram que Cherkasov teria entrado nos EUA utilizando uma identidade falsa e espionado o país durante uma passagem para estudar em uma universidade.
Com isso, a situação deixou de ser apenas uma questão judicial e passou a envolver também interesses diplomáticos entre diferentes países.
Governo decidiu expulsá-lo, mas não definiu quando
No mês passado, o governo brasileiro decidiu pela expulsão de Cherkasov do Brasil e determinou que ele não poderá retornar ao país durante 30 anos.
Apesar da decisão, não foi estabelecida uma data para a saída.
Segundo informações obtidas pela CNN Brasil, o Executivo aguarda o desfecho de um segundo inquérito envolvendo Cherkasov antes de definir o momento considerado adequado para sua entrega.
A possibilidade de o russo ser utilizado como elemento de negociação diplomática também é apontada na apuração, principalmente diante do interesse simultâneo de Rússia e Estados Unidos.
Cherkasov continua preso no Brasil
Enquanto a situação não é definida, Sergey Cherkasov permanece na Penitenciária Federal de Brasília, onde cumpre pena até 2027.
Ele é apontado como o último integrante que ainda permanece no Brasil de uma rede de espionagem russa identificada pela Polícia Federal no país.
Agora, o Ministério da Justiça terá dez dias para informar ao STF como está o processo de entrega do russo e esclarecer os motivos para a demora.

