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Hackers ampliam ataques
Reprodução internet
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Mundo – Sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgoto nos Estados Unidos estão sendo alvo de uma onda de ataques cibernéticos que já afetou empresas de serviços públicos em pelo menos sete estados. O alerta foi emitido por autoridades federais após invasões que provocaram perda de controle sobre equipamentos, operações manuais prolongadas e, em alguns casos, queda de pressão e alagamentos.

O FBI e a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) informaram que os incidentes atingiram tecnologias usadas para monitorar e controlar remotamente estruturas de abastecimento. A orientação aos operadores é retirar esses equipamentos da exposição direta à internet e reforçar os mecanismos de segurança.

O alerta ganhou força depois que mais de 30 sistemas comunitários de água de Minnesota foram atingidos por um ataque cibernético coordenado nos dias 26 e 27 de julho. Segundo o FBI, desde 27 de julho empresas do setor de água e esgoto de pelo menos sete estados relataram incidentes à agência, alguns deles com impacto nas operações.

Ataques alteraram senhas e equipamentos

Os invasores conseguiram acessar remotamente dispositivos conectados à internet e, em alguns casos, alteraram endereços IP e senhas. A ação provocou perda das funções de monitoramento e controle dos equipamentos.

Grande parte dos casos confirmados envolve controladores lógicos programáveis (PLCs), dispositivos utilizados para automatizar e controlar processos industriais. Também foram atingidas as interfaces de computador utilizadas pelos operadores para acompanhar e gerenciar os sistemas.

De acordo com o FBI, os invasores miraram especificamente controladores PLC MicroLogix 1100 e 1400, fabricados pela Rockwell Automation/Allen-Bradley. A agência ressalvou que medidas semelhantes de segurança devem ser consideradas para equipamentos de outros fabricantes.

Em pelo menos uma organização, foram identificadas alterações nos arquivos de projeto do PLC depois que operadores perceberam discrepâncias na lógica de programação em diferentes unidades.

Ataques provocaram perda de pressão e alagamentos

Os efeitos dos ataques variaram de acordo com a função desempenhada pelos equipamentos comprometidos e com a capacidade de cada instalação de assumir operações manuais.

Entre os impactos relatados ao FBI estão perda de pressão e alagamentos. A agência alertou que uma queda de pressão em sistemas de abastecimento pode permitir a entrada de água subterrânea não tratada nas tubulações, dependendo das circunstâncias.

Em alguns casos, equipamentos precisaram ser retirados de operação e reiniciados manualmente. A CISA, agência civil de defesa cibernética dos EUA, também informou que invasores alteraram senhas para impedir o acesso de operadores e desconectaram dispositivos das redes, levando a avisos para ferver a água e à necessidade de operações manuais prolongadas.

Apesar dos impactos operacionais, autoridades estaduais e locais informaram que os ataques registrados em Minnesota não representaram ameaça à segurança da água.

Mais de 30 sistemas foram atingidos em Minnesota

O caso de Minnesota foi identificado entre 26 e 27 de julho, quando mais de 30 sistemas comunitários de abastecimento de água foram alvo de uma ação coordenada.

A investigação ainda está em andamento. John Israel, diretor de segurança da informação do estado, afirmou que informações relevantes foram repassadas ao governo federal, que analisa os incidentes dentro de um contexto nacional mais amplo e busca determinar se eles podem ser atribuídos a um agente específico.

A dimensão do problema chamou a atenção das autoridades porque os ataques não ficaram restritos a um único sistema. O FBI confirmou relatos semelhantes em pelo menos sete estados.

Irã é apontado como possível origem, mas não há confirmação oficial

A possibilidade de participação de hackers ligados ao Irã surgiu durante a análise dos ataques em Minnesota.

Investigadores e autoridades americanas citados pelo The New York Times consideraram provável uma ligação com grupos iranianos. Especialistas consultados pela Reuters também apontaram semelhanças entre os incidentes recentes e campanhas anteriores contra equipamentos utilizados em infraestruturas críticas americanas.

No entanto, a autoria não foi oficialmente atribuída ao Irã.

Em 31 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não acreditava que o governo iraniano estivesse por trás do ataque contra os sistemas de água de Minnesota. A Reuters informou que, até aquela data, nenhuma agência federal ou estadual havia atribuído formalmente os ataques a um agente específico.

A distinção é importante porque semelhanças técnicas e avaliações de investigadores não equivalem a uma atribuição oficial de responsabilidade.

Por que sistemas de água são alvo de hackers?

Os sistemas de abastecimento e tratamento de água dependem cada vez mais de equipamentos digitais para monitorar e controlar processos remotamente. Essa tecnologia permite que operadores acompanhem instalações e façam ajustes sem precisar estar fisicamente diante de cada equipamento.

Ao mesmo tempo, dispositivos conectados diretamente à internet podem criar pontos de entrada para invasores quando não estão devidamente protegidos.

É justamente esse tipo de vulnerabilidade que as autoridades americanas tentam reduzir. O FBI e a EPA recomendaram que operadores retirem os PLCs da exposição direta à internet, utilizem gateways e firewalls seguros, adotem senhas fortes e exclusivas e controlem rigorosamente quais dispositivos podem se comunicar com os sistemas.

A CISA também recomenda medidas como alteração imediata de senhas padrão, uso de autenticação multifator quando possível e inventário dos equipamentos de tecnologia operacional e de tecnologia da informação.

O que as autoridades americanas recomendam?

O principal alerta para os operadores é evitar que equipamentos responsáveis pelo controle físico das instalações permaneçam diretamente expostos à internet.

Entre as medidas recomendadas pelo FBI e pela EPA estão:

  • retirar PLCs da exposição direta à internet;
  • utilizar gateways seguros para conexões remotas;
  • adotar senhas fortes, exclusivas e difíceis de adivinhar;
  • controlar quais dispositivos têm autorização para se comunicar com os PLCs;
  • monitorar os acessos às redes;
  • reforçar a segurança de modems usados para conexão remota.

As recomendações refletem uma preocupação que vai além do roubo de dados. Quando sistemas digitais controlam equipamentos físicos, uma invasão pode afetar diretamente o funcionamento de uma infraestrutura essencial.

Por enquanto, as investigações continuam para determinar a extensão dos ataques e identificar quem está por trás deles. O que já está confirmado é que a campanha ultrapassou um caso isolado e atingiu sistemas de água e esgoto em diferentes estados americanos.

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