|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Mundo – Uma queda de avião turístico deixou 13 mortos no Peru neste sábado (2). A aeronave transportava 11 turistas europeus e dois tripulantes peruanos quando caiu na região de Ica, no sul do país, durante um voo sobre as Linhas de Nazca.
Após o acidente, o governo peruano determinou a suspensão temporária das operações da Aerodiana, empresa responsável pelo voo turístico. A medida permanecerá em vigor até a conclusão das investigações sobre as condições de operação da companhia.
O Ministério dos Transportes e Comunicações do Peru informou neste domingo (3) que a suspensão tem como objetivo verificar se a empresa cumpria as normas, os procedimentos e os requisitos operacionais previstos para a aviação.
Aeronave informou problema mecânico antes da queda
Uma das principais informações apuradas pelas autoridades até o momento é que a tripulação teria comunicado um problema mecânico antes da interrupção do contato por rádio.
O ministro do Comércio Exterior e Turismo do Peru, Rogers Valencia, afirmou que a aeronave informou que enfrentava dificuldades mecânicas durante o voo.
O avião era um Cessna 208B Grand Caravan, modelo utilizado em voos turísticos na região. Segundo o governo peruano, os pilotos comunicaram uma emergência à torre de controle do aeródromo de Nazca na última transmissão de rádio registrada.
Ainda não está confirmado, porém, se o problema mecânico relatado foi a causa da queda.
A Comissão de Investigação de Acidentes Aeronáuticos analisa a comunicação feita pela tripulação, a rota percorrida pela aeronave e as condições encontradas nos destroços. A conclusão sobre a causa do acidente dependerá do avanço da investigação.
Avião havia saído de Pisco
Segundo o Ministério dos Transportes e Comunicações do Peru, o acidente ocorreu por volta das 13h no horário local, equivalente às 15h no horário de Brasília.
A aeronave havia decolado do Aeroporto de Pisco para realizar um voo turístico sobre as Linhas de Nazca. A queda aconteceu aproximadamente 2 quilômetros do aeródromo de Nazca, pouco depois da decolagem.
O aeroporto de Pisco continua operacional. Valencia afirmou que ainda será necessário determinar o grau de responsabilidade relacionado ao acidente.
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, também afirmou que uma eventual suspensão das operações do Aeroporto de Pisco está sendo avaliada, mas indicou que prefere aguardar os relatórios dos ministérios e o resultado das investigações antes de tomar uma decisão.
Quem eram as vítimas do acidente
Entre os mortos estão 11 turistas europeus, sendo sete italianos, dois alemães e dois espanhóis.
Os dois tripulantes eram peruanos.
O governo peruano informou que os cônsules da Itália e da Alemanha estiveram no local do acidente. As autoridades italianas também confirmaram que a embaixada do país em Lima mantém contato com o governo peruano e que os familiares das vítimas italianas foram comunicados.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, manifestou pesar pela morte dos cidadãos italianos e enviou condolências aos familiares.
As autoridades trabalham na identificação e nos procedimentos relacionados às vítimas enquanto a investigação sobre a queda continua.
Aerodiana suspende operações após acidente
Antes da decisão do governo peruano, a Aerodiana havia divulgado uma manifestação de pesar às famílias das vítimas e afirmado que estava preparada para oferecer assistência.
A empresa declarou ainda que pretende colaborar integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação.
A Aerodiana atua há 18 anos com voos turísticos sobre as Linhas de Nazca, uma das principais atrações arqueológicas do Peru. A suspensão determinada pelo governo impede temporariamente que a companhia continue realizando suas operações até que sejam verificadas as condições de segurança e o cumprimento das exigências de aviação.
A investigação deverá esclarecer se houve falhas relacionadas à aeronave, à operação do voo ou a outros fatores que possam ter contribuído para o acidente.
Linhas de Nazca já registraram outros acidentes fatais
O acidente chama atenção também pelo histórico de ocorrências envolvendo voos turísticos na região.
As Linhas de Nazca são um conjunto de antigos geóglifos desenhados no deserto peruano. As figuras, que incluem animais e formas geométricas, podem ser observadas com maior clareza a partir do alto, o que faz dos voos panorâmicos uma atividade turística tradicional na região.
O local é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial.
Em 2022, um acidente com uma aeronave turística próximo ao sítio arqueológico matou cinco turistas e dois tripulantes peruanos, segundo informações divulgadas pela Reuters.
Em 2010, outro acidente envolvendo um avião de pequeno porte deixou quatro turistas britânicos e dois tripulantes peruanos mortos.
O novo acidente coloca novamente sob análise as condições de segurança dos voos turísticos realizados sobre uma das atrações arqueológicas mais conhecidas do Peru.
Por enquanto, a principal questão ainda sem resposta é se o problema mecânico comunicado pela tripulação teve relação direta com a queda. A Comissão de Investigação de Acidentes Aeronáuticos deverá analisar os destroços, os registros do voo e as comunicações feitas antes da perda de contato para determinar o que aconteceu.

