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O BNDES e a Finep abriram nesta terça-feira, 16, chamada pública para selecionar a gestora do FIP Conexões Startups, fundo com capital-alvo de R$ 250 milhões voltado a empresas inovadoras com faturamento anual de até R$ 20 milhões que já passaram por programas públicos de apoio à inovação.

Rio de Janeiro – Edifício sede do BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, no Centro do Rio. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

O fundo busca preencher uma lacuna crítica do ecossistema brasileiro: converter startups que receberam apoio técnico ou recursos públicos em negócios capazes de atrair capital privado para expansão.

FIP Conexões Startups abre seleção de gestora com capital-alvo de R$ 250 milhões

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram a chamada pública durante o BNDES Garagem 2026, no Rio de Janeiro. O processo selecionará a gestora responsável pelo FIP Conexões Startups — FIP é a sigla para Fundo de Investimento em Participações, modalidade em que o fundo toma uma fatia do capital das empresas investidas, e não apenas concede crédito.

A BNDESPar, braço de participações do BNDES, poderá aportar entre R$ 40 milhões e R$ 100 milhões no fundo. A Finep, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), poderá investir até R$ 50 milhões. O restante do capital-alvo de R$ 250 milhões deverá vir de investidores privados atraídos pela gestora selecionada.

Startups elegíveis já passaram por programas como BNDES Garagem e Centelha

O fundo tem critérios de entrada definidos: as empresas precisam ter faturamento anual de até R$ 20 milhões e ter participado anteriormente de pelo menos um dos programas públicos elegíveis — entre eles BNDES Garagem, Centelha, Tecnova, Inovacred, Mais Inovação e Mulheres Inovadoras. A lógica é aproveitar o histórico de triagem já feito por esses programas para reduzir o risco na seleção de investidas.

O fundo também terá diretriz específica para ampliar investimentos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, áreas historicamente sub-representadas no mapa do venture capital brasileiro — segmento de capital de risco voltado a empresas de alto crescimento.

A gestora selecionada deverá demonstrar capacidade de estruturar um pipeline de investimentos — ou seja, um fluxo contínuo de análise e seleção de empresas — e conectar as startups a investidores institucionais para rodadas futuras.

BNDES compromete até R$ 63 milhões no Fundo Antler Brasil I

No mesmo evento, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, anunciou investimento de até R$ 63 milhões da BNDESPar no Fundo Antler Brasil I. O veículo reúne ainda recursos da Finep, do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), da BADESUL e da Fomento Paraná, com potencial de alcançar R$ 250 milhões em capital comprometido. Aproximadamente R$ 65 milhões virão de investidores estrangeiros.

A Antler opera em mais de 27 países e afirma ter investido em mais de 1.800 empresas desde 2018. No Brasil, a estratégia é focada em startups em estágio pré-seed — fase anterior à entrada de fundos de capital semente tradicionais, quando a empresa ainda está estruturando o modelo de negócio. A meta é apoiar até 100 startups brasileiras de base tecnológica.

FIP de Inteligência Artificial recebeu 17 propostas e define gestora em setembro

O evento também trouxe um balanço do FIP IA, fundo de até R$ 500 milhões vinculado ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Lançado em abril, o edital atraiu 17 propostas de gestores interessados. A seleção final está prevista para setembro.

A BNDESPar pretende comprometer até R$ 125 milhões no FIP IA, enquanto a Finep poderá aportar até R$ 80 milhões via FNDCT. Para estimular a participação privada, nenhum investidor-âncora poderá deter mais de 25% do patrimônio do fundo — regra que obriga a diversificação da base de cotistas e reduz a concentração de controle público no veículo.

Com os três instrumentos combinados — FIP Conexões Startups, Fundo Antler Brasil I e FIP IA —, o volume total mobilizável ultrapassa R$ 1 bilhão, considerando os aportes públicos previstos e o capital privado que cada fundo deverá atrair. Os próximos passos dependem da conclusão das chamadas públicas: a gestora do FIP Conexões Startups ainda será selecionada, enquanto o FIP IA define seu gestor em setembro.

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