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Economia – As exportações do agro brasileiro para o Oriente Médio registraram queda em março, refletindo os impactos do conflito na região. Enquanto produtos como café e carne bovina tiveram recuo nos embarques, o milho ainda não apresenta efeitos significativos, segundo dados de entidades do setor.
O cenário evidencia como fatores geopolíticos podem afetar diretamente o comércio internacional, especialmente em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
Queda nos embarques para o Oriente Médio
De acordo com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, as exportações do agronegócio brasileiro ao Conselho de Cooperação do Golfo recuaram 25,38% em março. Apesar disso, o acumulado do primeiro trimestre de 2026 ainda apresenta alta de 6,8%, somando US$ 1,44 bilhão.
A retração está ligada, principalmente, à instabilidade logística e ao aumento dos custos de transporte e seguros, impulsionados pela guerra na região.
Milho ainda não sente efeitos diretos
Mesmo com a forte queda pontual nas exportações para o Irã, o milho segue como um caso particular. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, o grão concentra sua janela de exportação no segundo semestre.
Na prática, isso significa que os impactos do conflito ainda não foram plenamente sentidos. Especialistas apontam que exportadores têm margem para ajustar estratégias até o período de maior volume de embarques, a partir de julho.
Café perde fôlego em mercados tradicionais
Já o café brasileiro apresentou retração relevante em mercados importantes do Oriente Médio. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil indicam queda tanto em volume quanto em receita em países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito.
Na Arábia Saudita, por exemplo, as exportações caíram de 15,5 mil sacas em janeiro para 8,1 mil em março, uma redução de 57,7%. O movimento coincide com o aumento das incertezas logísticas e financeiras na região.
Carne bovina também registra recuo
As exportações de carne bovina seguiram a mesma tendência. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, houve queda de 20,5% nos embarques em março, totalizando 18,2 mil toneladas.
A receita também recuou, passando de US$ 137,5 milhões em fevereiro para US$ 115,6 milhões no mês seguinte. Países como Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Catar registraram reduções expressivas nas compras.
Açúcar vai na contramão e cresce
Diferentemente de outros produtos, o açúcar apresentou desempenho positivo. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram aumento nas exportações para países como Arábia Saudita, Iêmen e Iraque.
O crescimento indica que os impactos da guerra variam conforme a cadeia produtiva e a dinâmica de cada mercado.
Custos logísticos preocupam setor
Além da queda nos embarques, o aumento dos custos logísticos é um dos principais desafios. Fretes marítimos mais caros e seguros elevados encarecem o preço final dos produtos brasileiros no exterior.
Esse cenário pode afetar a competitividade do país em mercados estratégicos, como a Ásia e o próprio Oriente Médio.
O que esperar dos próximos meses?
O desempenho das exportações do agro dependerá da evolução do conflito e da estabilidade das rotas comerciais. Produtos como o milho ainda têm tempo para reagir, enquanto café e carne já refletem impactos imediatos.
