Maior chacina do DF: julgamento começa e penas podem chegar a 385 anos
Carlos Henrique, Gideon, Horácio, Fabrício e Carlomam (na ordem) são os cinco suspeitos/ Foto: Reprodução/Divulgação PC-DF/Reprodução
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Teve início nesta segunda-feira (13) o julgamento dos cinco acusados de participação na maior chacina da história do Distrito Federal, ocorrida entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023. Os réus são apontados como responsáveis pelo assassinato de 10 pessoas de uma mesma família, em um caso que chocou o país pela brutalidade e pela motivação do crime.

Segundo o Ministério Público do Distrito Federal, as penas somadas podem variar entre 211 e 385 anos de prisão, caso haja condenação. Os acusados respondem por uma série de crimes, incluindo homicídio qualificado, extorsão mediante sequestro, roubo, ocultação de cadáver, corrupção de menores e fraude processual. As investigações indicam que mais de 100 crimes foram cometidos ao longo da execução do plano.

O julgamento ocorre no Tribunal do Júri de Planaltina, onde os cinco homens — Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva — serão julgados pelas ações que resultaram na morte de integrantes de três núcleos familiares.

De acordo com a denúncia, o crime foi motivado pela disputa por uma chácara de aproximadamente 5,2 hectares, avaliada em cerca de R$ 2 milhões, localizada na região do Itapoã. A investigação aponta que o grupo planejou eliminar todos os possíveis herdeiros para assumir a posse do terreno, mesmo sem ter direito legal sobre a propriedade, que já era alvo de disputa judicial.

As apurações revelaram que o plano começou a ser arquitetado em outubro de 2022. A primeira ação ocorreu em 27 de dezembro, quando Marcos Antônio Lopes de Oliveira, considerado o patriarca da família, foi rendido junto com a esposa e a filha. Ele foi morto pouco depois, enquanto as demais vítimas foram mantidas em cativeiro.

A partir desse momento, os criminosos passaram a utilizar os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros familiares para emboscadas. Entre os dias seguintes, filhos, noras, ex-companheira e netos foram sequestrados sob falsas justificativas e levados ao mesmo cativeiro.

No dia 12 de janeiro de 2023, Elizamar da Silva saiu de casa com os três filhos para buscar o marido, Thiago Gabriel Belchior. Os quatro foram assassinados em Cristalina (GO), e os corpos encontrados carbonizados dentro de um carro no dia seguinte. Outros integrantes da família tiveram destinos semelhantes, sendo mortos e tendo os corpos ocultados ou destruídos em diferentes locais, incluindo cisternas e áreas isoladas.

Ao todo, dez pessoas foram mortas, incluindo três crianças. A polícia concluiu que a execução sistemática das vítimas teve como objetivo impedir qualquer sucessão familiar que pudesse impedir a tomada da propriedade.

Entre os crimes listados pelo Ministério Público estão homicídios qualificados, com penas que variam de 12 a 30 anos, além de extorsão, sequestro, roubo e ocultação de cadáver, que elevam significativamente o total de anos possíveis de condenação.

Os acusados foram presos ainda em janeiro de 2023 e permanecem detidos desde então. Durante as investigações, parte deles confessou participação e detalhou o planejamento e a execução das ações.

O julgamento deve se estender por vários dias, dada a complexidade do caso, o número de vítimas e a quantidade de crimes imputados. A expectativa é de que o júri popular analise minuciosamente cada etapa da denúncia apresentada pelo Ministério Público.

O caso, que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal, segue como um dos episódios mais violentos e impactantes da história recente da capital, com desdobramentos que ainda mobilizam autoridades e familiares das vítimas em busca de justiça.

 

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