Adestramento ou Maus-Tratos? Denúncia gera polêmica sobre práticas irresponsáveis
Foto reprodução / rede social
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A ativista e influenciadora digital, Luisa Mel, conhecida por defender os direitos dos animais denunciou nas redes sociais um caso que ganhou repercussão e está gerando fortes reações de tutores de pets e ativistas: um adestrador de cães foi acusado de aplicar métodos violentos durante “sessões de adestramento”, que na avaliação de especialistas configuram maus‑tratos.

No post publicado com as imagens compartilhadas pelo próprio adestrador como forma de propaganda de seus serviços e questionou duramente a abordagem utilizada.

“Isto não é adestramento! Isto é maus‑tratos!”, escreveu, destacando que técnicas como choques elétricos, enforcamento, tapas e até socos — métodos relatados em vídeos por ela compartilhados — ainda são, infelizmente, normalizados em alguns espaços de “educação canina”. Ela enfatizou que existe um jeito de adestrar que não envolve violência e que respeita os animais.

A discussão vem à tona justamente em um momento em que o Brasil ainda não possui regulamentação formal para a profissão de adestrador de cães — uma lacuna que significa que qualquer pessoa pode oferecer serviços de “adestramento” sem certificação, formação ou supervisão específica por órgãos competentes.

Especialistas em comportamento animal observam que não há exigência legal de diploma ou título profissional para atuar na área, o que pode levar à proliferação de métodos inadequados e potencialmente cruéis.

Segundo especialistas, o trabalho de um adestrador requer não apenas conhecimento técnico, mas também paciência, respeito aos animais e capacidade de construir confiança com os cães, empregando métodos baseados em reforço positivo em vez de punições físicas.

O que recomendam são abordagens que valorizem recompensas e aprendizagem gradual, que têm respaldo científico e são consideradas mais eficazes e menos traumáticas que métodos aversivos.

No Brasil, a legislação também prevê proteção aos animais: maus‑tratos — incluindo violência física ou práticas que causem sofrimento desnecessário — são crime conforme previsto na Lei nº 9.605/1998, com penas que variam de detenção a multa. Especificamente para cães e gatos, a Lei nº 14.064/2020 aumentou essas penas, ampliando a proteção legal contra crueldade animal.

A academia de adestramento em questão também expõe conteúdo nas redes sociais, incluindo vídeos que mostram crianças interagindo de forma questionável com os cães durante sessões de “educação canina”.

Organizações de proteção animal e adestradores que seguem práticas modernas argumentam que a falta de regulamentação clara da atividade — incluindo diretrizes baseadas no bem‑estar animal e formação reconhecida — contribui para a continuidade de métodos polêmicos e potencialmente danosos.

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