De brigas à conexão: Dicas de uma Advogada, Sexóloga e Analista Comportamental que já ajudou milhares de casais a resgatar a harmonia, a intimidade e a paixão no casamento.
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Olá queridos leitores!

Hoje como sempre, vamos falar sobre algo que é muito comum no cotidiano de muitas pessoas nos dias atuais, e eles mostraram a essencia da maturidade…

A cena que parou as redes sociais no último domingo não foi apenas sobre o brilho de um troféu. Ao ver Cauã Reymond celebrar a vitória de Grazi Massafera como melhor atriz, fomos testemunhas de algo que toca na essência da saúde emocional: a capacidade de transformar o fim de um amor na manutenção de uma família.

Sob a ótica da psicanálise, esse gesto carrega camadas profundas:

Muitas separações ficam estancadas em uma “guerra de espelhos”, onde o sucesso do outro é sentido como uma ameaça ou uma lembrança do que foi perdido. Quando um ex-parceiro consegue aplaudir o outro, ele está dizendo: “Eu te vejo como um sujeito independente do meu desejo ou da nossa história terminada”. É o reconhecimento do outro para além do vínculo conjugal.

O grande desafio após um divórcio é entender que o vínculo conjugal (marido e mulher) pode ter um ponto final, mas o vínculo parental (pai e mãe) é eterno. Quando o narcisismo ferido pela separação assume o controle, o ex-parceiro tenta apagar o brilho do outro.

Cauã demonstrou que o “homem” já não ocupa mais aquele espaço, mas o “pai” está plenamente presente. Ao aplaudi-la, ele não aplaude apenas a atriz, mas a mãe da sua filha, reconhecendo nela uma dignidade que a separação não destruiu.

Na psicanálise, a triangulação é o processo onde a criança entende que não é o único objeto de desejo da mãe ou do pai, e que existe um mundo além dela.

Ao ligar para a filha, para que ela assistisse à vitória da mãe, Cauã ocupa o lugar de “terceiro” que aponta para o mundo. Ele diz à filha: “Olha lá a sua mãe, veja como ela é potente e talentosa”. Isso retira a criança de qualquer conflito de lealdade. Ela ganha a permissão psíquica para amar e admirar ambos, sem sentir que está traindo um ao demonstrar afeto pelo outro.

  • O pai como ponte: Ao fazer essa ligação, o pai não está apenas transmitindo uma imagem; ele está validando a importância da mãe.
  • Segurança emocional: Para uma criança, ver o pai admirar a mãe (e vice-versa) cria um solo firme. Ela não precisa escolher lados. Ela entende que é fruto de algo que, embora tenha mudado de forma, mantém o respeito como base.

Muitos pais, por ressentimento, tornam-se muros que bloqueiam o acesso emocional ao outro genitor. Cauã agiu como ponte. Ao facilitar o acesso da filha ao momento de glória da mãe, ele fortalece a identidade da criança. Afinal, a autoestima de um filho é construída, em grande parte, pela imagem que ele tem de seus pais. Se eu admiro quem te deu a vida, eu valido a sua própria existência.

Um divórcio é, invariavelmente, um luto. Mas o luto bem elaborado permite que o objeto (o ex-parceiro) deixe de ser um “inimigo” para se tornar um aliado na tarefa de educar. Cauã demonstrou que é possível honrar a história que passou através do suporte no presente.

Neste caso, o exemplo educou

Palavras convencem, mas o exemplo arrasta. A filha deles com certeza não aprendeu sobre amor e respeito em um livro no último domingo; ela aprendeu vendo o pai vibrar com a conquista da mulher que lhe deu a vida.

E pra finalizar… O Conselho da Semana é: Cultive a “Permissão de Amar”

Muitas vezes, a maior herança que você pode deixar para um filho não é financeira, mas a liberdade emocional de não precisar escolher lados.

Se você vive uma relação de coparentalidade, meu conselho é: seja o maior entusiasta das virtudes do outro genitor na frente do seu filho. Mesmo que existam mágoas do passado, lembre-se de que, para a criança, aquela pessoa é metade do mundo dela. Quando você valida o outro, você está, na verdade, cuidando da segurança interna do seu filho. No palco da vida, o maior prêmio não é o que seguramos nas mãos, mas o sorriso de um filho que cresce sabendo que seus pais, apesar de caminhos distintos, são aliados no amor que sentem por ele.

 

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