Foto: Reprodução/Internet
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Investigação revela pagamentos milionários, uso de empresas para distribuir dinheiro vivo e atuação de intermediários

 

A Polícia Federal identificou um esquema estruturado de venda de decisões judiciais envolvendo assessores ligados ao Superior Tribunal de Justiça, com divisão de tarefas, fluxo financeiro padronizado e até uma “tabela de propina” com valores que chegavam a R$ 20 milhões.

De acordo com relatório parcial da investigação, o funcionamento do esquema seguia um modelo organizado. Interessados em decisões favoráveis pagavam valores ao advogado Roberto Zampieri, apontado como intermediário. Parte do dinheiro era então direcionada a empresas utilizadas para operacionalizar os repasses.

Uma dessas empresas, a Florais Transportes, ligada ao lobista Anderson Gonçalves, atuava como núcleo financeiro do esquema. A partir dela, os valores eram distribuídos a operadores, servidores e outros intermediários, muitas vezes por meio de saques em dinheiro vivo.

As investigações apontam que os pagamentos eram feitos de forma condicionada às decisões judiciais. Em mensagens obtidas pela PF, investigados indicavam que “na decisão ele paga”, além de utilizarem termos como “orçamento” para se referir aos valores de propina.

Os valores identificados variam conforme o tipo de decisão. Segundo a PF, decisões menores giravam em torno de R$ 50 mil, enquanto casos mais relevantes podiam alcançar entre R$ 6 milhões e R$ 7 milhões — chegando a até R$ 20 milhões em situações de grande interesse.

A apuração também encontrou registros concretos de pagamentos, como transferências de R$ 50 mil e R$ 400 mil vinculadas a decisões específicas, além de repasses milionários ao longo do tempo. Em um dos casos, foram identificados pagamentos de R$ 6,8 milhões ao intermediário.

Entre 2021 e 2023, um operador financeiro recebeu mais de R$ 6,5 milhões para sacar e distribuir recursos, cobrando comissão de 3%. Há ainda indícios de que valores mais altos estavam sendo preparados para influenciar decisões de maior impacto.

Nesta semana, um ex-assessor do STJ voltou a ser alvo de operação da PF e foi preso preventivamente por suspeita de obstrução à Justiça. Segundo os investigadores, ele teria utilizado sua posição em gabinete para acessar e manipular minutas de decisões.

Apesar da gravidade das suspeitas, a Polícia Federal afirma que, até o momento, não há comprovação de participação direta de ministros do STJ, embora servidores ligados a gabinetes estejam sob investigação.

 

Relembre o caso

As investigações tiveram avanço significativo após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, em 2023, considerado peça central no esquema. A partir do crime, a Polícia Federal passou a aprofundar a apuração sobre movimentações financeiras suspeitas e relações entre operadores, empresas e servidores públicos.

Com o cruzamento de dados, mensagens e registros bancários, os investigadores identificaram um padrão de atuação que indicava a existência de uma estrutura organizada para influenciar decisões judiciais. O esquema envolvia intermediários, operadores financeiros e uso de empresas para ocultar e distribuir recursos.

Ao longo das apurações, surgiram evidências de pagamentos sistemáticos, uso de linguagem codificada e divisão de funções — características típicas de organização criminosa. O caso passou então a ser tratado como uma investigação de grande complexidade dentro do sistema de Justiça.

Os desdobramentos mais recentes, incluindo novas prisões e apreensões, indicam que a apuração se aproxima da fase final, com possibilidade de novos indiciamentos e revelações sobre a extensão do esquema.

 

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