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A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido mundialmente como “El Mencho”, desencadeou uma onda de violência em diversos estados do México neste fim de semana. Apontado como fundador e principal líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), ele era considerado um dos narcotraficantes mais procurados do mundo.

A operação que resultou em sua morte ocorreu no domingo, 22 de fevereiro de 2026, no estado de Jalisco. Segundo informações divulgadas por autoridades mexicanas, houve confronto armado durante uma ação do Exército. El Mencho foi gravemente ferido e morreu após ser socorrido. O governo dos Estados Unidos oferecia recompensa de até 15 milhões de dólares por informações que levassem à sua captura, devido ao envolvimento do cartel com tráfico internacional de drogas, incluindo fentanil e cocaína.

Estruturado e violento

Natural de Michoacán, El Mencho construiu uma das organizações criminosas mais estruturadas e violentas do continente. O CJNG não operava apenas no México: tinha presença consolidada nos Estados Unidos, Canadá, América Latina e ramificações identificadas na Europa e na Ásia. Especialistas em segurança afirmam que a estrutura descentralizada do grupo e o controle armado de territórios estratégicos permitiram sua expansão nos últimos anos.

Até recentemente, havia pouquíssimas imagens públicas do líder do cartel, fator que teria contribuído para que ele permanecesse foragido por tanto tempo.

Resposta imediata

Horas após a confirmação da morte, começaram os ataques retaliatórios atribuídos a integrantes do cartel. Em várias cidades, criminosos incendiaram ônibus, caminhões e veículos particulares, bloquearam rodovias com carros em chamas e atearam fogo a estabelecimentos comerciais.

Estados como Jalisco, Guanajuato, Michoacán e Puebla registraram narcobloqueios simultâneos. Em Guadalajara, capital de Jalisco, avenidas ficaram interditadas e houve confrontos entre criminosos e forças de segurança.

Vídeos que circularam nas redes mostram frentistas sendo rendidos enquanto criminosos espalham combustível próximo às bombas antes de atear fogo. Em outros pontos, motoristas são retirados dos veículos, que são incendiados no meio da rua — sem assalto, apenas destruição como demonstração de força.

Correria no aeroporto

O clima de tensão também atingiu o Aeroporto Internacional de Guadalajara. Informações sobre bloqueios nas vias de acesso provocaram correria dentro do terminal. Passageiros registraram momentos de pânico, temendo que a violência se aproximasse da área aeroportuária.

Companhias aéreas monitoraram a situação e algumas operações sofreram atrasos e ajustes por precaução. Autoridades locais reforçaram que não houve ataque direto ao aeroporto, mas admitiram que a instabilidade nas proximidades gerou medo generalizado.

Governo não recua

O número total de vítimas ainda está sendo consolidado pelas autoridades. Há registros de mortos em confrontos armados e pessoas feridas durante os incêndios e bloqueios. Equipes do Corpo de Bombeiros atuaram durante horas para controlar focos de incêndio espalhados por diferentes municípios.

Em uma das cenas mais impactantes do dia, uma senhora foi retirada com o corpo em chamas de dentro de um minimercado incendiado. Ela sobreviveu e recebeu atendimento médico, mas as imagens reforçam o nível de caos provocado pelas ações criminosas.

O governo mexicano afirmou que a operação contra El Mencho foi estratégica e necessária, destacando que não haverá recuo no combate ao crime organizado. Forças federais e estaduais seguem mobilizadas para conter novos episódios de violência e restaurar a normalidade nas regiões afetadas.

Destaques ISN

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