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crise bancária no Paraguai
Reprodução internet
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Mundo – A crise envolvendo o Ueno Bank provocou protestos em Assunção, capital do Paraguai, na terça-feira (3). Centenas de clientes e aposentados foram às ruas para exigir a devolução de seus recursos, após o Banco Central do Paraguai iniciar um procedimento de resolução da instituição financeira por problemas de solvência.

Os manifestantes reclamaram das restrições de acesso às contas e cobraram garantias de que os valores depositados serão recuperados. A mobilização também ganhou dimensão política, com críticas ao presidente Santiago Peña e pedidos de julgamento político e renúncia do chefe do Executivo.

Protestos tiveram momentos de tensão com a polícia

As manifestações começaram de forma pacífica nas proximidades do Panteão Nacional dos Heróis, no centro de Assunção. Durante o ato, participantes exibiram cartazes e entoaram palavras de ordem exigindo a devolução integral dos depósitos.

A tensão aumentou quando um grupo tentou avançar em direção ao Congresso Nacional e encontrou barreiras montadas pelas forças de segurança. Houve confrontos com policiais, correria e momentos de tumulto nas ruas da capital.

Os protestos também chegaram às proximidades da residência presidencial. Nesse local, manifestantes direcionaram cobranças a Santiago Peña e pediram que ele seja responsabilizado pela crise.

Intervenção do Ueno Bank deixou clientes sem acesso habitual aos recursos

O Banco Central paraguaio iniciou o procedimento de resolução do Ueno Bank depois de identificar que o índice de solvência da instituição estava abaixo do mínimo exigido pelas regras do sistema financeiro.

A medida afetou clientes que utilizavam o banco para guardar economias e realizar operações cotidianas. A suspensão dos serviços e as dificuldades de acesso aos recursos aumentaram a preocupação de famílias, aposentados e comerciantes.

O Ueno Bank tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava depósitos de instituições públicas. Entre os recursos envolvidos estão valores do Instituto de Previsión Social (IPS), responsável pelo sistema de previdência paraguaio.

O Banco Central informou que os depósitos contam com mecanismos de garantia, mas os clientes cobram esclarecimentos sobre os prazos e as condições para recuperar a totalidade dos valores.

Crise também atinge o governo de Santiago Peña

Além das consequências financeiras, o caso provocou questionamentos sobre a atuação das autoridades responsáveis pela fiscalização do banco e os vínculos entre o grupo controlador da instituição e o governo paraguaio.

O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, anunciou sua renúncia em meio à crise. Antes de assumir o comando da autoridade monetária, ele havia presidido o Ueno Bank.

A Procuradoria também abriu investigação sobre possíveis irregularidades na administração da instituição. O caso levou à emissão de ordens de detenção contra oito integrantes da direção do banco, segundo informações divulgadas pela imprensa paraguaia.

As investigações buscam esclarecer as circunstâncias que levaram à crise e apurar eventuais responsabilidades. As medidas judiciais não representam, por si só, uma condenação dos investigados.

Governo anuncia medidas para devolver depósitos

Diante da repercussão do caso, Santiago Peña anunciou iniciativas para acelerar a devolução dos recursos aos clientes afetados. O Banco Central também informou que pretende iniciar pagamentos por meio do Fundo de Garantia de Depósitos, respeitando os limites e as regras previstos na legislação.

A crise, no entanto, continua gerando incerteza entre os correntistas e pressão sobre o governo. Enquanto as autoridades avançam com os procedimentos financeiros e judiciais, os manifestantes cobram transparência, responsabilização dos envolvidos e a recuperação dos valores retidos.

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