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Mundo – Governos de diferentes países estão reforçando recomendações para que a população mantenha em casa reservas de água potável, alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais. A orientação ganhou destaque nas últimas semanas, especialmente após o lançamento de uma campanha de preparação para emergências no Reino Unido, em 22 de outubro de 2026.
A proposta é permitir que as famílias enfrentem os primeiros dias de uma situação de crise sem depender imediatamente dos serviços públicos ou do abastecimento regular dos supermercados.
Entre os cenários considerados estão desastres naturais, apagões, ataques cibernéticos, conflitos armados e interrupções no funcionamento de infraestruturas essenciais.
Apesar da repercussão, as campanhas não representam um alerta de que uma guerra ou escassez generalizada de alimentos esteja prestes a acontecer. O objetivo é reduzir a vulnerabilidade da população diante de situações que podem comprometer temporariamente o acesso a água, energia, comunicação e produtos básicos.
Reino Unido recomenda preparação para 72 horas
Em 22 de outubro, o governo britânico lançou a campanha Be Ready, que incentiva os moradores a manterem condições de sobrevivência por pelo menos 72 horas em caso de interrupção de serviços essenciais.
A iniciativa prevê três anos de conscientização, com divulgação de orientações nas redes sociais, no rádio e por meio de organizações comunitárias.
Segundo o governo, tempestades registradas no inverno anterior e incêndios florestais durante o verão demonstraram como eventos climáticos extremos podem afetar o fornecimento de eletricidade, água, telefonia e internet.
Além de manter uma pequena reserva doméstica, a campanha recomenda que as famílias tenham um plano de emergência e saibam como agir caso precisem permanecer em casa ou deixar a residência.
União Europeia já havia recomendado estoques
A orientação britânica acompanha uma iniciativa apresentada pela Comissão Europeia em março de 2025. A estratégia de preparação para crises recomendou que os cidadãos tenham suprimentos suficientes para atender às necessidades básicas durante pelo menos 72 horas.
O plano considera diferentes tipos de ameaça, como tensões geopolíticas, conflitos armados, ataques cibernéticos, mudanças climáticas e desastres naturais.
Países como França, Irlanda e Países Baixos também possuem recomendações semelhantes. A lógica é permitir que a população tenha autonomia nos primeiros momentos de uma emergência, enquanto os serviços de resgate e as autoridades concentram esforços nas áreas e pessoas que mais precisam de assistência.
Tensões internacionais também influenciam as medidas
O cenário internacional contribuiu para ampliar a preocupação com a capacidade de resposta a crises. A guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões geopolíticas aumentaram o debate sobre a proteção de infraestruturas estratégicas e a segurança dos serviços essenciais.
Um ataque cibernético contra sistemas de energia, abastecimento de água ou transporte, por exemplo, pode provocar consequências semelhantes às de um desastre natural, mesmo sem danos físicos diretos às instalações.
Por isso, as recomendações não se limitam à possibilidade de guerra. Elas também consideram situações como enchentes, tempestades, incêndios e falhas prolongadas no fornecimento de energia.
Japão recomenda reservas para até sete dias
No Japão, a preparação doméstica faz parte das orientações tradicionais de prevenção, devido à exposição do país a terremotos, tufões e chuvas intensas.
As autoridades recomendam que cada pessoa mantenha água e alimentos suficientes para pelo menos três dias. Para situações de maior escala, a reserva ideal pode chegar a uma semana.
A orientação japonesa considera aproximadamente três litros de água por pessoa ao dia, incluindo o consumo e o preparo de alimentos.
Para uma família de quatro pessoas, isso representa:
- Três dias: 36 litros de água.
- Sete dias: 84 litros de água.
O Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão alerta que a recuperação de serviços essenciais após grandes desastres pode levar mais de uma semana. Além disso, interrupções no transporte dificultam a distribuição de mercadorias e o abastecimento de supermercados.
O que manter em casa para uma emergência?
As recomendações variam conforme o país, mas geralmente incluem água potável, alimentos de longa duração e itens necessários para manter a segurança e a higiene da família.
Entre os produtos sugeridos estão:
- Água potável e alimentos não perecíveis;
- Medicamentos de uso contínuo;
- Lanternas, pilhas e carregadores portáteis;
- Rádio e materiais básicos de primeiros socorros;
- Produtos de higiene pessoal;
- Itens específicos para crianças, idosos e animais de estimação.
No Japão, as autoridades também recomendam fogareiros portáteis, cartuchos de gás, banheiros de emergência e mochilas com documentos e itens essenciais para uma possível evacuação.
Como montar uma reserva sem gastar muito?
Uma das estratégias recomendadas no Japão é conhecida como rolling stock. O método consiste em comprar pequenas quantidades extras dos produtos que a família já consome, utilizar primeiro os itens mais antigos e repor aquilo que foi utilizado.
Assim, a reserva é mantida gradualmente, sem a necessidade de grandes compras ou desperdício de alimentos.
A Cruz Vermelha Britânica também reforçou, em 30 de outubro, que a preparação não exige gastos elevados nem compras exageradas. A orientação é verificar primeiro o que já existe em casa e completar os estoques aos poucos.
A mensagem central das campanhas é que estar preparado não significa esperar uma catástrofe. Significa ter condições de enfrentar os primeiros dias de uma emergência com mais segurança e menos dependência de serviços que podem estar temporariamente indisponíveis.

