Publicidade
Gilmar Mendes
Reprodução STF
Getting your Trinity Audio player ready...

Política – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticou a condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2026. Em publicação nas redes sociais na noite de segunda-feira (2), o magistrado defendeu uma atuação imparcial da cúpula da Justiça Eleitoral e afirmou que “silêncios e hesitações não são neutros”.

Sem citar diretamente o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, Gilmar afirmou que quem conduz o órgão responsável pela organização das eleições deve atuar como um “árbitro equidistante”, conforme os princípios previstos na Constituição.

“De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”, escreveu.

Ministro aponta riscos da falta de posicionamento

Na avaliação de Gilmar Mendes, a ausência de manifestações diante de situações relevantes pode provocar consequências institucionais. Segundo ele, o silêncio pode abrir espaço para decisões contraditórias e levar outras instâncias a agir sobre questões que poderiam ter sido resolvidas inicialmente pelo próprio tribunal.

O ministro também afirmou que a falta de posicionamento pode ser utilizada como argumento por pessoas que questionam a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro.

Apesar das críticas à condução do tribunal, Gilmar reconheceu o papel do colegiado do TSE durante o processo eleitoral.

“Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado”, declarou.

TSE recebeu mais de 100 mil processos eleitorais

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral mencionados pela CNN Brasil, a Justiça Eleitoral recebeu mais de 100 mil processos relacionados às eleições de 2026.

O volume inclui ações envolvendo diferentes aspectos da disputa, entre eles questionamentos das campanhas presidenciais sobre propaganda eleitoral nas redes sociais.

Resultado das urnas e questionamentos de Flávio Bolsonaro

O segundo turno das eleições presidenciais terminou com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) ficou com 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

Dados oficiais do TSE apontam que 34.393 votos foram registrados após as 17h, em razão da extensão do horário de votação até as 19h em locais onde havia dificuldades relacionadas ao transporte público. A medida foi determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin.

Mesmo que todos os votos computados no período adicional tivessem sido destinados a Lula, o número representaria menos de 1% da diferença final entre os candidatos.

Após a derrota, Flávio Bolsonaro viajou para os Estados Unidos com a família. Já em território norte-americano, divulgou uma carta na qual se apresentou inicialmente como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A publicação foi apagada minutos depois e substituída por outra versão, sem a mesma expressão.

No documento, o senador afirmou que pretende liderar a oposição a partir do exterior e voltou a alegar fraude eleitoral, mas não apresentou provas de irregularidades na votação.

Presidente do TSE defendeu regularidade do pleito

Após as declarações de Flávio Bolsonaro, Kassio Nunes Marques divulgou uma nota afirmando que as eleições transcorreram dentro da normalidade e em respeito às regras legais e constitucionais.

O presidente do TSE destacou que a Justiça Eleitoral respeitou a vontade dos eleitores e afirmou que, apesar de instabilidades na reta final da votação, as medidas adotadas e o trabalho das equipes técnicas permitiram concluir a apuração com segurança.

A manifestação de Gilmar Mendes ocorre em meio às repercussões políticas e institucionais do resultado eleitoral e às discussões sobre a atuação da Justiça Eleitoral durante o pleito.

Publicidade
Publicidade
Publicidade

Destaques ISN

Relacionadas

Menu