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Economia – A prévia da inflação oficial subiu 0,70% em setembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (25). O resultado, medido pelo IPCA-15, representa uma aceleração em relação a agosto, quando o índice registrou deflação de 0,40%.
A alta de setembro foi a maior para o IPCA-15 desde abril, quando o indicador havia avançado 0,89%. Em 12 meses, a prévia da inflação acumula alta de 4,47%. No ano, o índice registra avanço de 3,82%.
O principal fator de pressão no mês foi a energia elétrica residencial, cuja alta está relacionada ao fim do desconto proporcionado pelo Bônus Itaipu.
Conta de luz foi o principal impacto
O grupo Habitação apresentou a maior alta entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, com avanço de 2,07%. O resultado teve impacto de 0,31 ponto percentual no IPCA-15 de setembro.
Dentro do grupo, a energia elétrica residencial subiu 7,42% e sozinha respondeu por 0,29 ponto percentual do índice.
A alta ocorreu porque os consumidores deixaram de contar, em setembro, com o desconto aplicado nas contas de energia em agosto por causa do Bônus Itaipu.
O benefício é resultado da distribuição do saldo positivo da conta de comercialização da usina de Itaipu, que é convertido em crédito para os consumidores.
Como a conta de luz de agosto havia ficado mais barata por causa do bônus, a comparação com setembro, quando o desconto deixou de ser aplicado, provocou uma alta expressiva no indicador.
Veja as maiores altas entre os grupos
Além de Habitação, outros grupos também registraram aumento de preços em setembro:
- Despesas pessoais: 0,96%
- Transportes: 0,60%
- Artigos de residência: 0,55%
- Comunicação: 0,54%
- Vestuário: 0,41%
- Alimentação e bebidas: 0,40%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,13%
- Educação: 0,03%
Habitação foi o grupo com maior impacto sobre o resultado geral, seguido por Transportes e Despesas pessoais.
Passagens aéreas e combustíveis
No grupo Transportes, as passagens aéreas tiveram uma das principais altas do mês, com aumento de 9,82%.
Os combustíveis também ficaram mais caros, mas com comportamentos diferentes entre os produtos. A alta média do grupo foi de 0,22%.
Veja as variações:
- Gás veicular: 1,56%
- Gasolina: 0,30%
- Óleo diesel: -0,78%
- Etanol: -0,22%
Alimentos voltam a subir
O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 0,40% em setembro. A alimentação no domicílio subiu 0,38%, depois de ter apresentado queda de 0,97% em agosto.
Entre os alimentos que mais aumentaram de preço estão o tomate, o arroz e as carnes.
As maiores variações foram:
- Tomate: 20,76%
- Arroz: 2,39%
- Carnes: 1,30%
Por outro lado, alguns produtos ficaram mais baratos:
- Feijão-carioca: -6,33%
- Cebola: -4,41%
- Café moído: -1,36%
Como está a inflação em 2026
Com o resultado de setembro, o IPCA-15 acumula alta de 3,82% no ano.
Veja a variação mensal da prévia da inflação em 2026:
| Mês | IPCA-15 |
|---|---|
| Janeiro | 0,20% |
| Fevereiro | 0,84% |
| Março | 0,44% |
| Abril | 0,89% |
| Maio | 0,62% |
| Junho | 0,41% |
| Julho | 0,06% |
| Agosto | -0,40% |
| Setembro | 0,70% |
O resultado de setembro interrompe, portanto, a sequência de queda registrada em agosto.
O que é o IPCA-15?
O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial porque utiliza metodologia semelhante à do IPCA, índice usado como referência para o sistema de metas de inflação.
A principal diferença está no período de coleta. Para o resultado divulgado nesta sexta-feira, os preços foram pesquisados entre 15 de agosto e 15 de setembro.
O indicador acompanha os gastos de famílias com renda de um a 40 salários mínimos e considera uma cesta de produtos e serviços.
O IPCA-15 pesquisa preços em 11 localidades do país, enquanto o IPCA abrange 16.
O IPCA cheio de setembro será divulgado pelo IBGE em 9 de outubro.
Mercado esperava inflação menor
O resultado divulgado pelo IBGE ficou acima da expectativa indicada pelo mercado financeiro.
No Boletim Focus divulgado em 21 de setembro pelo Banco Central, as instituições consultadas projetavam alta de 0,52% para a inflação de setembro.
A diferença entre a projeção e o resultado efetivo mostra a influência dos preços de energia elétrica sobre o indicador deste mês.

