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escola subterrânea
Reprodução internet
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Mundo – Em uma vila ucraniana praticamente devastada pela guerra, a reconstrução de uma escola ganhou um significado que vai além da educação. Em Staryi Saltiv, na região de Kharkiv, autoridades construíram um complexo subterrâneo para que as crianças que permanecem na comunidade possam voltar às aulas com maior segurança.

Localizada a cerca de 17 quilômetros da fronteira com a Rússia e próxima à linha de frente, a pequena vila convive diariamente com ataques. Antes da guerra, o local era conhecido como destino turístico, principalmente pelas paisagens às margens de um grande lago.

Hoje, boa parte da população deixou a região, e os sinais da destruição estão espalhados pelas ruas.

A ponte que ligava a área ao território em direção à Rússia foi destruída nos primeiros dias da invasão, em 2022. Atualmente, posições russas ficam nas proximidades, e ataques com drones continuam sendo registrados.

Escola foi destruída duas vezes durante a guerra

O antigo prédio escolar de Staryi Saltiv é um dos símbolos da devastação provocada pelo conflito.

A construção foi destruída durante os primeiros meses da invasão russa, quando a cidade chegou a ser ocupada. Depois que as forças ucranianas retomaram o controle da região, autoridades decidiram reconstruir a escola na tentativa de recuperar parte da rotina da comunidade.

A reabertura, porém, nunca aconteceu.

Antes que o prédio pudesse voltar a receber estudantes, pelo menos cinco drones russos do modelo Shahed atingiram a construção, que novamente ficou em ruínas.

No mesmo terreno, ao lado dos escombros, surgiu a nova escola.

Prédio subterrâneo terá capacidade para 423 alunos

Com financiamento da União Europeia, a comunidade construiu um complexo de três andares abaixo do solo, com estrutura de concreto reforçado e capacidade para até 423 estudantes.

O número é muito maior do que a quantidade de crianças que atualmente vivem na região. Muitas famílias deixaram Staryi Saltiv durante a guerra em busca de locais mais seguros.

A escola também foi projetada para funcionar como abrigo. Em caso de novos ataques de grande intensidade, o espaço poderá proteger estudantes e moradores da comunidade.

A inauguração está prevista para meados de setembro, no início do ano letivo europeu. Antes da abertura, a estrutura foi apresentada à imprensa.

Para Irina Glazunova, secretária de Educação da cidade, a construção responde a duas necessidades urgentes: garantir o acesso das crianças ao ensino e oferecer um local adequado para proteção da população.

“Em primeiro lugar, a situação de segurança é precária”, afirmou. Segundo ela, muitos prédios públicos estão destruídos ou oferecem riscos e a comunidade precisava de uma estrutura capaz de atender aos padrões de segurança.

Guerra mudou a rotina escolar na Ucrânia

A situação de Staryi Saltiv faz parte de uma realidade enfrentada por milhões de estudantes ucranianos.

Em setembro, mais de três milhões de crianças retornam às aulas no país em meio à guerra. Em regiões próximas às áreas de combate, porém, a educação presencial depende da existência de abrigos antiaéreos considerados adequados.

Quando essas condições não existem, o ensino a distância acaba sendo a alternativa mais segura.

Em Kharkiv, por exemplo, estudantes chegam a ter aulas dentro de estações de metrô adaptadas para funcionar como espaços protegidos contra bombardeios.

Em Staryi Saltiv, a nova escola subterrânea tenta resolver os dois problemas ao mesmo tempo: criar um ambiente para o ensino e oferecer proteção em caso de ataques.

Crianças sentem falta da escola e dos amigos

Entre os estudantes que esperam voltar às aulas está Maria, de 13 anos. Ela frequentava a antiga escola antes de sua destruição e permaneceu na região porque seus pais continuam trabalhando na comunidade.

Para a adolescente, ver o prédio onde estudava transformado em escombros foi uma experiência difícil.

“Fiquei muito triste e ansiosa, porque eu estudava nessa escola quando era pequena e agora ela está destruída; é muito triste e assustador”, contou.

Durante os últimos anos, Maria acompanhou as aulas pela internet. Embora reconheça algumas vantagens do ensino remoto, ela afirma que a experiência não substitui o contato com professores e colegas.

A estudante também sente falta de brincar com outras crianças. Segundo ela, já são quatro anos sem a convivência escolar que fazia parte de sua rotina.

A irmã mais nova, Uliana, de 8 anos, também aguarda o retorno à escola. Para ela, a expectativa não envolve apenas voltar a estudar, mas recuperar uma parte da infância interrompida pela guerra.

Escola representa tentativa de reconstruir a comunidade

A nova estrutura de Staryi Saltiv foi construída em um cenário em que a guerra ainda não terminou e os ataques continuam próximos.

Mesmo assim, a decisão de erguer uma escola no local onde outra foi destruída duas vezes representa uma tentativa de manter serviços básicos e preservar a vida comunitária.

Em uma região onde prédios foram reduzidos a escombros e muitas famílias precisaram partir, o espaço subterrâneo passa a ter uma função que vai além da sala de aula: manter as crianças estudando e oferecer à população um lugar de proteção enquanto o conflito continua.

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