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Política – O primeiro debate presidencial das eleições de 2026 terminou com apenas três dos seis candidatos convidados pela Band. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) decidiram não comparecer ao encontro realizado neste domingo (23), em São Paulo.
A ausência dos três ocorreu em um cenário de forte concentração das intenções de voto nos dois principais nomes da disputa e de elevado grau de decisão do eleitorado. Levantamentos recentes citados mostram que entre 66% e 78% dos entrevistados já afirmavam ter o voto definido, dependendo da pesquisa.
Com os principais candidatos fora do estúdio, Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) tiveram o espaço praticamente todo para apresentar propostas e atacar os adversários.
Por que Lula e Flávio decidiram não participar?
A estratégia de Lula e Flávio Bolsonaro está relacionada à tentativa de evitar riscos em confrontos considerados menos importantes para suas campanhas.
Os dois aparecem nas primeiras posições das pesquisas e concentram grande parte do eleitorado. Na pesquisa BTG/Nexus divulgada em 24 de agosto, Lula tinha 41% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio aparecia com 37%. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, o resultado era de 46% a 45%, dentro da margem de erro.
No caso de Flávio, a campanha já havia indicado que ele pretendia participar, no primeiro turno, de debates em que Lula também estivesse presente. A estratégia busca concentrar a disputa no confronto com o principal adversário e evitar ataques vindos de outros nomes do campo da direita.
Lula, por sua vez, também vinha sinalizando uma participação mais seletiva nos debates. O presidente chegou a dizer que não pretendia participar de encontros caso fossem apenas para “ouvir bobagem”.
E por que Zema ficou fora?
A decisão de Romeu Zema apresenta um cálculo diferente.
Ao contrário de Lula e Flávio, o candidato do Novo busca ampliar seu conhecimento nacional e conquistar espaço entre eleitores que ainda podem mudar de voto. A análise publicada após o debate presidencial apontou justamente que a ausência pode ter representado uma oportunidade perdida para o ex-governador de Minas Gerais.
Zema informou que não participaria porque os principais concorrentes também haviam desistido do debate. O problema é que, sem ele no palco, os demais candidatos puderam disputar diretamente o eleitorado que procura uma alternativa aos dois principais polos da eleição.
Durante o debate, inclusive, Zema praticamente não foi citado pelos adversários. Para um candidato que precisa ampliar sua exposição nacional, esse silêncio pode ser mais relevante do que os ataques que eventualmente receberia.
Debate teve apenas três candidatos
Com as ausências, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury foram os únicos candidatos no palco.
Renan adotou uma postura mais agressiva e direcionou críticas principalmente a Lula e Flávio. Caiado também aproveitou o espaço para atacar os dois líderes das pesquisas, mas concentrou boa parte de sua participação em propostas relacionadas à segurança pública.
Augusto Cury seguiu uma linha diferente, abordando temas como educação, empreendedorismo, mulheres, pessoas neurodivergentes e os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho.
O encontro acabou se tornando o debate inaugural com menor número de participantes desde 1989, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo.
Faltar a debate presidencial pode prejudicar um candidato?
A resposta não é simples. Historicamente, candidatos que lideravam pesquisas já adotaram a estratégia de evitar determinados debates, mas os resultados eleitorais não permitem estabelecer uma regra de que a ausência sempre beneficia ou prejudica uma candidatura.
Em 1989, Fernando Collor de Mello, que liderava a corrida presidencial, participou dos debates apenas no segundo turno. Em 1998, o favoritismo de Fernando Henrique Cardoso foi tão grande que, após anunciar que não participaria dos debates, as próprias emissoras desistiram de realizá-los.
Em 2006, Lula também faltou a debates do primeiro turno. Naquele ano, terminou a primeira rodada com 48,61% dos votos válidos e precisou disputar o segundo turno contra Geraldo Alckmin.
Já em 2018, Jair Bolsonaro não participou dos debates após ser vítima de um atentado durante a campanha. Naquele caso, a ausência ocorreu em circunstâncias completamente diferentes e foi acompanhada pela comoção provocada pelo ataque.
Esses episódios mostram que o impacto de um debate depende do momento da campanha, da posição do candidato nas pesquisas, do comportamento dos adversários e da capacidade de cada participante de transformar a exposição em votos.
Ausência dos líderes abriu espaço para adversários
A estratégia de Lula e Flávio pode reduzir o risco de um erro diante das câmeras, mas também deixa o palco livre para os concorrentes.
A própria pesquisa Meio/Ideia citada pela CNN Brasil mostrou que 63% dos entrevistados consideram que todos os candidatos convidados deveriam comparecer aos debates.
Para candidatos que ainda tentam crescer nas pesquisas, portanto, um debate pode ser uma das poucas oportunidades de falar diretamente com um público amplo sem depender exclusivamente de propaganda eleitoral ou entrevistas.
A eleição de 2026 ainda está em fase inicial, e a capacidade de os candidatos transformarem exposição em intenção de voto será um dos pontos importantes das próximas semanas.
Por enquanto, o primeiro debate deixou uma imagem incomum: três púlpitos ocupados e outros três vazios. Para Lula e Flávio, a escolha representa uma estratégia de proteção em uma disputa polarizada. Para Zema, pode significar uma oportunidade perdida justamente quando precisa ampliar sua presença no cenário nacional.

