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Educação – Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva revela como a inteligência artificial passou a ocupar espaço em decisões e tarefas do cotidiano dos brasileiros. Embora 67% dos usuários afirmem que se sentem mais inteligentes com o uso da tecnologia, 51% dizem que ficaram mais preguiçosos.
Os dados foram comentados pelo neurocientista e sócio do Instituto Locomotiva, Álvaro Machado. Para o especialista, os resultados mostram uma contradição no relacionamento das pessoas com a inteligência artificial: ao mesmo tempo em que a ferramenta proporciona sensação de maior capacidade, também pode estimular uma dependência que reduz a autonomia.
A pesquisa aponta que 22% dos usuários afirmam não conseguir resolver conflitos pessoais sem recorrer à IA. Outros 31% dizem que não conseguem aprender um assunto do zero sem consultar a tecnologia, enquanto 25% recorrem à IA antes de tomar decisões financeiras.
Dependência da IA aparece em decisões do cotidiano
Os resultados indicam que a inteligência artificial deixou de ser utilizada apenas para tarefas relacionadas ao trabalho ou aos estudos e passou a participar de decisões pessoais.
Entre os entrevistados, 31% afirmam que dependem da ferramenta para aprender novos assuntos. Já 25% dizem consultar a IA antes de tomar decisões financeiras.
No campo dos relacionamentos, 22% afirmam não resolver conflitos pessoais sem a ajuda da tecnologia.
Para Álvaro Machado, essa dependência pode fazer com que as pessoas transfiram para os algoritmos uma parcela cada vez maior de suas próprias decisões e processos de pensamento.
O neurocientista utiliza a expressão “algoritmização do pensamento” para definir esse processo, no qual os algoritmos passam a exercer influência sobre a maneira como as pessoas raciocinam e tomam decisões.
Uso da IA pode estimular ou substituir o pensamento
Machado também citou pesquisas do MIT ao comentar os possíveis efeitos da inteligência artificial sobre o funcionamento do cérebro.
Segundo o especialista, existe uma diferença entre utilizar a IA como ferramenta para pesquisar, explorar um assunto e ampliar o repertório e recorrer à tecnologia para substituir completamente o processo de elaboração de uma tarefa.
Um exemplo é a produção de textos. Quando a pessoa utiliza a ferramenta para construir o raciocínio e entregar o resultado final, o processo pode ser diferente daquele em que o usuário desenvolve a atividade de maneira independente.
A discussão coloca em evidência uma questão central sobre o uso da inteligência artificial: a tecnologia pode ampliar as capacidades humanas, mas também pode substituir etapas importantes do aprendizado quando utilizada de maneira passiva.
Dependência preocupa no ambiente educacional
A relação entre inteligência artificial e educação também aparece como um dos principais pontos de atenção.
Para Machado, considerar desnecessário aprender determinado conteúdo porque a informação pode ser obtida rapidamente por meio da IA pode fazer com que o estudante deixe de realizar o esforço necessário para desenvolver seu próprio raciocínio.
Nesse contexto, o especialista diferencia a simples memorização de informações do desenvolvimento de estruturas de pensamento capazes de sustentar argumentos e estabelecer conexões entre diferentes conhecimentos.
A preocupação não está apenas em quanto uma pessoa consegue obter informações, mas em quanto ela ainda consegue pensar, analisar e construir respostas por conta própria.
Como usar a inteligência artificial sem perder autonomia?
A pesquisa mostra que a relação com a IA pode assumir diferentes formas. A ferramenta pode ser utilizada para ampliar conhecimentos, pesquisar assuntos desconhecidos e auxiliar na execução de tarefas, mas também pode acabar substituindo completamente etapas que antes eram realizadas pelo próprio usuário.
O desafio, portanto, está em encontrar um equilíbrio entre aproveitar os recursos oferecidos pela tecnologia e preservar a capacidade de raciocinar, aprender e tomar decisões de forma independente.
Como resume Machado, a inteligência artificial deve funcionar como uma ferramenta que “soma” às capacidades humanas, e não como substituta do pensamento.

