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Jaques Wagner
Reprodução Agência Senado
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Política – A Polícia Federal (PF) afirma que o senador Jaques Wagner (PT-BA) manteve um acompanhamento direto da chamada “Emenda Master”, proposta que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A conclusão consta em documentos obtidos a partir da análise do celular de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Segundo a investigação, mensagens, ligações telefônicas e encontros indicariam uma interlocução frequente entre pessoas ligadas ao banco e o gabinete do parlamentar. Até o momento, as informações fazem parte da apuração da PF e não representam conclusão judicial sobre eventual responsabilidade do senador.

PF aponta contatos entre gabinete de Jaques Wagner e representantes do Master

De acordo com a Polícia Federal, as primeiras conversas entre o entorno do senador e integrantes do Banco Master teriam sido intermediadas por Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como “Tio Guiga”, descrito pelos investigadores como um dos principais interlocutores e amigo próximo de Jaques Wagner.

A investigação aponta que, em 19 de junho de 2024, Guiga entrou em contato com Daniel Vorcaro. Pouco tempo depois, em 7 de agosto, ele teria solicitado uma reunião para tratar de um assunto considerado sigiloso.

Ainda conforme a PF, Guiga informou que o chefe de gabinete do senador faria contato para organizar o encontro. Os dois também realizaram uma ligação telefônica com duração de aproximadamente três minutos e cinquenta segundos.

O que é a chamada “Emenda Master”

A proposta investigada é um dispositivo incluído na PEC 63/2023, apresentado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A emenda previa elevar para R$ 1 milhão por pessoa física o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo que protege investidores em caso de quebra de instituições financeiras.

Segundo a Polícia Federal, a proposta tinha interesse direto para o Banco Master e passou a ser conhecida internamente como “Emenda Master”.

Ligações e troca de mensagens após publicação da proposta

Os investigadores afirmam que, poucas horas após a publicação da emenda no sistema do Senado Federal, Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima realizaram uma ligação de mais de nove minutos.

Na sequência, Augusto teria encaminhado ao senador o link oficial contendo o texto da proposta legislativa.

Outro trecho citado pela PF relata que, em 25 de agosto, Jaques Wagner enviou um áudio a Augusto dizendo que precisava conversar para “saber como estavam as coisas do banco”.

Dois dias depois, mensagens indicariam um encontro presencial no gabinete do senador, em Brasília. Em uma delas, Augusto escreve:

“Bom dia amigo. No caminho. Chego em 15 min. Abraços.”

Na sequência, ele volta a compartilhar o link da chamada Emenda Master.

PF diz que Daniel Vorcaro via senador como aliado político

Outro ponto destacado pela investigação envolve mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro durante conversa com o jornalista Álvaro Gribel.

Segundo a PF, o empresário afirmou que “Rui, Jaques e Alexandre Silveira” apoiariam movimentações relacionadas ao Banco Master.

Para os investigadores, esse conteúdo sugere que Vorcaro percebia Jaques Wagner como um aliado político em uma discussão considerada estratégica para o banco.

No documento, a Polícia Federal afirma que esse elemento possui relevância investigativa por indicar que, na visão do empresário, o apoio do senador ultrapassaria o simples acompanhamento legislativo e alcançaria articulações políticas relacionadas ao tema.

Investigação segue em andamento

As informações divulgadas fazem parte da investigação conduzida pela Polícia Federal e constam em documentos produzidos no âmbito do inquérito.

Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre os fatos narrados pela investigação. O caso segue em apuração pelas autoridades competentes.

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