Choquei é o 3 perfil que mais divulga noticias falsas no X (Antigo Twitter) Foto: Divulgação
Choquei é o 3 perfil que mais divulga noticias falsas no X (Antigo Twitter) Foto: Divulgação
Getting your Trinity Audio player ready...

O perfil brasileiro Choquei, conhecido por viralizar conteúdos de entretenimento e celebridades, voltou ao centro de uma controvérsia global. Dados recentes apontam que a página ocupa o terceiro lugar no ranking mundial de perfis que mais disseminam desinformação na plataforma X, intensificando discussões sobre os limites entre velocidade, alcance e responsabilidade no ambiente digital.

A classificação tem como base o Community Notes Leaderboard, sistema da própria plataforma que monitora a frequência com que publicações recebem correções de usuários, um indicativo relevante de conteúdos considerados enganosos ou fora de contexto.

Como funciona o ranking de desinformação

O levantamento que posiciona o Choquei no top 3 global não mede apenas “fake news” no sentido tradicional, mas sim a recorrência de posts que exigem contextualização ou correção pública.

O mecanismo das “Notas da Comunidade” permite que usuários adicionem esclarecimentos em publicações potencialmente enganosas. Quanto maior o número de intervenções necessárias, maior a exposição do perfil a acusações de desinformação.

No caso do Choquei, a quantidade elevada de correções foi determinante para colocá-lo entre os maiores vetores globais de conteúdo problemático dentro da plataforma.

O fenômeno Choquei: velocidade, alcance e riscos

Criado em 2014, o Choquei cresceu rapidamente apostando em conteúdos curtos, urgentes e altamente compartilháveis, inicialmente focados em fofocas e entretenimento.

Com o tempo, o perfil ampliou sua atuação para temas mais sensíveis, como política, acontecimentos internacionais e tragédias — sem necessariamente adotar os critérios tradicionais do jornalismo, como checagem rigorosa e contextualização.

Especialistas apontam que o modelo operacional da página prioriza a velocidade em detrimento da verificação. O próprio funcionamento do perfil, baseado em repostagens rápidas e linguagem alarmista, contribui para o alto engajamento — mas também para o aumento do risco de erros.

Histórico de polêmicas e críticas

A presença do Choquei em rankings de desinformação não é um episódio isolado. Nos últimos anos, o perfil esteve envolvido em diferentes controvérsias, incluindo a divulgação de conteúdos não verificados e episódios que tiveram forte repercussão pública.

Entre os casos mais marcantes, está a publicação de informações falsas que contribuíram para situações de grande impacto social, ampliando o debate sobre os efeitos reais da desinformação digital.

Além disso, o perfil já foi criticado por:

  • Utilizar linguagem sensacionalista para aumentar o alcance
  • Publicar conteúdos sem fonte clara
  • Compartilhar imagens fora de contexto
  • Priorizar rapidez em detrimento da apuração

Esses elementos ajudam a explicar por que a página aparece com frequência em sistemas de monitoramento de conteúdo problemático.

Impacto político e institucional

A ascensão do Choquei ao topo do ranking também reacendeu discussões sobre sua relação com o ambiente político brasileiro. Segundo reportagens, interações públicas com autoridades e figuras do governo contribuíram para ampliar a visibilidade e a influência do perfil.

Esse cenário levanta questionamentos sobre o papel de páginas de grande alcance na formação da opinião pública, especialmente quando operam fora dos padrões jornalísticos tradicionais.

O desafio global da desinformação

O caso do Choquei não é isolado, mas simbólico de um problema maior. Plataformas digitais enfrentam dificuldades crescentes para equilibrar liberdade de expressão, engajamento e controle de conteúdo enganoso.

Ferramentas como o Community Notes representam uma tentativa de descentralizar a checagem, mas também evidenciam a dimensão do problema: a desinformação circula mais rápido do que a correção.

Prisão do dono da Choquei

Em meio às polêmicas envolvendo o perfil, o dono do Choquei, Raphael Sousa Oliveira, foi preso em abril de 2026 durante uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema de lavagem de dinheiro com movimentações bilionárias. Detido inicialmente em Goiânia, ele teve a prisão mantida após audiência de custódia e, posteriormente, foi transferido para um presídio em Aparecida de Goiânia. As investigações apontam que ele teria atuado como operador de mídia dentro da organização criminosa, enquanto a defesa contesta a legalidade da prisão e busca sua revogação na Justiça.

Entre influência e responsabilidade

O terceiro lugar no ranking mundial coloca o Choquei em uma posição de destaque, mas também de pressão. Com milhões de seguidores e alto poder de viralização, o perfil se tornou um exemplo claro de como contas originalmente voltadas ao entretenimento podem assumir papel central no ecossistema informativo.

O episódio reforça um debate urgente: até que ponto páginas com grande alcance devem ser responsabilizadas pelos conteúdos que publicam?

Enquanto plataformas, autoridades e usuários tentam responder a essa pergunta, casos como o do Choquei mostram que, na era digital, informação e desinformação disputam espaço em tempo real e com impactos cada vez mais concretos na sociedade.

Publicidade

Destaques ISN

Relacionadas

Menu