O que se sabe sobre o hantavírus e como se proteger
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Brasil – Casos recentes reacenderam o alerta sobre o hantavírus, uma doença rara, mas potencialmente grave, transmitida por roedores. A preocupação aumentou após a Organização Mundial da Saúde confirmar mortes suspeitas ligadas ao vírus em um cruzeiro internacional, com investigações ainda em andamento.

Mas afinal, o que é o hantavírus, como ocorre a transmissão e quais são os riscos?

O que é o hantavírus

O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores. A infecção humana ocorre, na maioria das vezes, pela inalação de partículas contaminadas presentes no ar.

Essas partículas vêm de:

  • fezes secas;
  • urina;
  • saliva de roedores infectados.

Segundo o Centros de Controle e Prevenção de Doenças, o vírus pode se espalhar quando esses resíduos se misturam ao pó e são inalados, especialmente em ambientes fechados.

Em casos mais raros, a transmissão pode acontecer por mordidas ou arranhões.

Quais doenças o vírus pode causar

O hantavírus está associado a duas síndromes principais:

Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS)

Mais comum nas Américas, essa forma começa com sintomas parecidos com gripe:

  • febre;
  • dores musculares;
  • fadiga.

Com a evolução, podem surgir:

  • falta de ar;
  • dificuldade respiratória grave.

A taxa de mortalidade pode chegar a cerca de 38%, segundo o CDC.

No Brasil, essa condição é conhecida como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), de acordo com o Ministério da Saúde.

Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS)

Mais comum na Europa e Ásia, essa forma afeta principalmente os rins e pode causar:

  • hemorragias;
  • queda de pressão;
  • insuficiência renal.

Situação no Brasil e no mundo

Apesar de raro, o hantavírus apresenta números relevantes:

  • Cerca de 150 mil casos por ano de HFRS no mundo, segundo os National Institutes of Health;
  • Nos Estados Unidos, foram registrados 890 casos entre 1993 e 2023;
  • No Brasil, entre 1993 e 2024, houve 2.377 casos confirmados, com 937 mortes.

Um dado importante: cerca de 70% das infecções no Brasil ocorrem em áreas rurais, onde o contato com roedores é mais frequente.

Existe tratamento?

Ainda não há um tratamento específico para o hantavírus. O cuidado médico é focado em tratar os sintomas e evitar complicações.

Dependendo da gravidade, o paciente pode precisar de:

  • oxigenoterapia;
  • ventilação mecânica;
  • medicamentos antivirais;
  • diálise.

Casos mais graves exigem internação em UTI.

Como prevenir a infecção

A prevenção é a principal forma de proteção contra o hantavírus. As recomendações incluem:

  • evitar contato com roedores e seus resíduos;
  • vedar frestas em casas, especialmente em porões e sótãos;
  • manter ambientes limpos e bem ventilados;
  • usar equipamentos de proteção ao limpar locais com fezes de animais.

Uma dica prática: nunca varrer ou aspirar fezes secas sem proteção, pois isso pode levantar partículas contaminadas no ar.

Por que o alerta é importante

Embora raro, o hantavírus tem alto potencial de gravidade, especialmente quando não diagnosticado precocemente.

O recente episódio em um navio — ainda sob investigação — mostra como o vírus pode surgir em diferentes contextos, reforçando a necessidade de informação e prevenção.

No fim, o maior risco não está apenas na presença do vírus, mas na falta de conhecimento sobre como ele se espalha.

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