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Brasil – Apesar de conhecerem os princípios básicos de uma dieta equilibrada, muitos brasileiros ainda enfrentam dificuldades para transformar esse conhecimento em hábito. É o que revela o estudo “Comportamento alimentar: percepções e desafios da alimentação saudável”, conduzido pelo Instituto Pensi em parceria com o Pacto Contra a Fome.
A pesquisa mostra um cenário curioso: a informação existe, mas a prática esbarra em obstáculos cotidianos como falta de tempo, cansaço e custo dos alimentos.
Conhecimento não é o principal problema
Segundo o levantamento, a maioria das pessoas sabe que uma alimentação saudável deve ser baseada em alimentos in natura, como frutas, legumes e verduras. Ainda assim, esse entendimento não se traduz automaticamente em escolhas no dia a dia.
O desafio está justamente no intervalo entre saber e fazer. Afinal, se a teoria está clara, por que a prática ainda falha?
Falta de tempo e cansaço pesam na rotina
Entre os principais fatores apontados, a rotina acelerada aparece como protagonista. Planejar refeições, fazer compras e cozinhar exige tempo, um recurso cada vez mais escasso.
Na prática, isso leva muitas pessoas a recorrerem a soluções rápidas, como delivery ou alimentos ultraprocessados, especialmente após dias exaustivos.
Além disso, especialistas destacam uma “carga mental invisível” relacionada à alimentação: decidir o cardápio, considerar preferências da família e organizar tudo isso em meio a outras responsabilidades.
Alimentação saudável ainda é vista como “sacrifício”
Outro ponto relevante revelado pelo estudo é a percepção emocional ligada à comida.
Enquanto a alimentação saudável costuma ser associada a disciplina e obrigação, opções como fast food e delivery são vistas como recompensas ou momentos de prazer.
Esse contraste influencia diretamente as escolhas. Comer bem, nesse contexto, deixa de ser algo desejável e passa a ser encarado como esforço.
O peso do bolso na escolha do prato
O custo dos alimentos também é um fator decisivo. A percepção de que comer saudável é caro apareceu em praticamente todos os grupos analisados.
Quando o orçamento aperta, as mudanças variam conforme a renda:
- Em classes mais altas, há redução de itens considerados “extras”
- Já em classes mais baixas, cortes atingem alimentos essenciais, como frutas, legumes e carnes
Esse cenário dialoga com dados da PNAD Contínua, que apontam que 54,7 milhões de brasileiros viviam com algum grau de insegurança alimentar em 2024.
Mulheres concentram a responsabilidade alimentar
A pesquisa também evidencia um recorte de gênero. As mulheres, em geral, são as principais responsáveis por planejar, comprar e preparar as refeições — mesmo quando trabalham fora.
Além disso, são elas que mais relatam sentimentos de culpa em relação à alimentação da família. Muitas vezes, priorizam a alimentação dos filhos e acabam negligenciando a própria.
O que pode mudar esse cenário?
Para especialistas, o caminho passa por soluções práticas e acessíveis, não apenas por mais informação.
Entre as possíveis estratégias estão:
- Incentivo ao consumo de alimentos in natura
- Políticas públicas que reduzam o custo desses alimentos
- Educação alimentar desde a infância
- Uso das redes sociais para disseminar dicas simples e aplicáveis
Em países como a Alemanha, por exemplo, aulas de culinária fazem parte da formação escolar, o que ajuda a criar uma relação mais próxima com a comida desde cedo.
Reflexão: comer bem virou um desafio moderno?
O estudo levanta uma questão importante: em um mundo cada vez mais acelerado, comer bem deixou de ser natural e passou a exigir planejamento constante.
Se antes a alimentação fazia parte da rotina, hoje ela disputa espaço com o tempo, o orçamento e o cansaço.
