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O navio oceanográfico Professor W. Besnard, considerado um dos símbolos da pesquisa marítima brasileira, ficou inclinado no cais do Porto de Santos na noite de sexta-feira (13). A embarcação, que está desativada há anos, acabou apoiada no fundo do estuário após adernar enquanto permanecia atracada na região do Parque Valongo.
Segundo a Autoridade Portuária de Santos, o incidente ocorreu enquanto o navio permanecia parado no local, onde aguardava definições sobre seu futuro. Apesar da inclinação da embarcação, não houve registro de feridos e as operações no porto não foram afetadas.
Área isolada e investigação aberta
Após o incidente, equipes portuárias isolaram a área no cais e instalaram barreiras de contenção no estuário como medida preventiva para evitar eventual vazamento de óleo ou outros resíduos. A embarcação permaneceu amarrada ao cais e apoiada no fundo do canal.
A Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos de São Paulo, enviou peritos ao local para avaliar a situação e instaurou um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), que deverá apurar as causas da inclinação e eventuais responsabilidades.
De acordo com as autoridades, não há risco imediato para a navegação no porto e, até o momento, não foram identificados sinais de poluição no estuário.
Navio marcou a história da oceanografia brasileira
O navio Professor W. Besnard foi um dos principais navios de pesquisa científica do país. Construído para a Universidade de São Paulo, a embarcação entrou em operação na década de 1960 e realizou centenas de expedições científicas ao longo de décadas de atividade.
Durante sua trajetória, o navio participou de missões de estudo dos oceanos e da biodiversidade marinha, incluindo seis expedições à Antártida. Ao longo dos primeiros 23 anos de operação, acumulou mais de três mil dias de navegação dedicados à pesquisa oceanográfica.
Embarcação estava parada no porto desde 2008
Desde 2008, o navio permanecia atracado no Porto de Santos após ser desativado. Ao longo dos anos, diferentes propostas de restauração e destino para a embarcação foram discutidas. Em determinado momento, o navio chegou a ser cedido para o município de Ilhabela, mas enfrentou entraves judiciais e administrativos relacionados à manutenção e ao futuro da embarcação.
Atualmente, o navio está sob responsabilidade do Instituto do Mar e ocupava temporariamente um espaço no cais enquanto aguardava uma decisão definitiva sobre possível restauração ou desmontagem.


