As manifestações batizadas de “Acorda, Brasil” ocorreram neste domingo, 1º de março de 2026, em diferentes pontos do país, com mobilizações concentradas em capitais como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Goiânia, Curitiba e Porto Alegre, além de outras cidades.
Em comum, os atos reuniram lideranças e apoiadores ligados ao bolsonarismo e da direita, com críticas ao governo Lula e ataques ao STF — especialmente a ministros citados em discursos e faixas. Entre as pautas destacadas por diferentes organizadores e parlamentares estavam anistia para condenados pelos atos de 8 de Janeiro e a pressão política em torno de temas ligados ao Judiciário.
Evento nacional
Na avaliação de veículos que acompanharam a mobilização, o movimento teve caráter nacional e repetiu o padrão visual já conhecido desses atos (verde-amarelo, faixas e carros de som).
Em São Paulo, a Avenida Paulista voltou a ser o principal palco e símbolo político do dia. Uma estimativa publicada pelo Poder360 apontou cerca de 22,8 mil pessoas no ato da Paulista. (Não existe, até aqui, um consolidado oficial único de público para todas as cidades.)
Em Brasília, a concentração ocorreu em frente ao Museu da República, com discursos de parlamentares. No Rio, houve ato em Copacabana. Em Belo Horizonte, a mobilização teve ponto central na Praça da Liberdade, com participação de Nikolas Ferreira e encontro com o governador Romeu Zema, antes do grupo seguir para São Paulo.
Palco principal
Se em várias capitais o tom foi de protesto, na Paulista o ato ganhou cara de pré-campanha: o senador Flávio Bolsonaro (PL) apareceu como principal nome do palanque e recebeu os governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD/GO), além de Nikolas Ferreira, que ajudou a convocar e puxar a mobilização.
Caiado, em discurso, explicitou o alinhamento político do trio, dizendo que ele e Zema estavam com o “mesmo objetivo” do pré-candidato.
Zema, por sua vez, reforçou o ataque às “autoridades intocáveis” e disse que o país “não aguenta mais a farra dos intocáveis”, frase repetida em coberturas sobre a Paulista.
Já Flávio Bolsonaro, ao citar Jair Bolsonaro, repetiu a promessa de retorno político do pai, relatando que disse a ele que, em janeiro de 2027, ele “vai subir aquela rampa do Planalto” com o povo.
Pesquisa animadora
A estratégia de colocar no mesmo ato nomes que podem disputar o mesmo eleitorado tem uma lógica: reduzir dispersão no 1º turno e criar um caminho de unificação para o 2º turno.
Um levantamento recente do Paraná Pesquisas (divulgado em 27 de fevereiro de 2026) mostra Lula numericamente à frente no 1º turno nos cenários estimulados, mas com distância curta para Flávio Bolsonaro.
No cenário em que aparecem Zema e Caiado, a pesquisa registra:
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Lula: 40,5%
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Flávio Bolsonaro: 36,6%
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Romeu Zema: 4,3%
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Ronaldo Caiado: 3,7%
No 2º turno, o mesmo levantamento aponta empate técnico, com Flávio numericamente à frente:
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Flávio Bolsonaro: 44,4%
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Lula: 43,8%


