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O futebol no Ceará vive um dos episódios mais atípicos e preocupantes dos últimos anos. Mensagens atribuídas ao Comando Vermelho começaram a circular em grupos de aplicativos determinando o fim das brigas entre torcidas organizadas no estado, após confrontos violentos registrados antes do clássico entre Ceará e Fortaleza, pelo Campeonato Cearense de 2026.

Confrontos antes do clássico

No domingo, 8 de fevereiro, diversas regiões de Fortaleza foram palco de confrontos generalizados entre integrantes de torcidas organizadas rivais. As cenas de violência se espalharam pelas redes sociais e resultaram em centenas de conduções às delegacias, além de prisões por associação criminosa, tumulto e lesão corporal.

A repercussão foi imediata e acendeu o alerta das autoridades de segurança pública.

O “salve” e a proibição das brigas

Pouco depois dos confrontos, começaram a circular mensagens atribuídas ao Comando Vermelho no Ceará. No conteúdo, a facção determinaria que as brigas entre torcidas estavam “totalmente brecadas” em todo o estado, sem prazo para retorno.

Segundo o texto divulgado, os confrontos estariam gerando “problemas para a organização”, com aumento de operações policiais e prisões em áreas consideradas estratégicas. A orientação seria para cessar imediatamente os embates.

Fechamento de sedes e renúncias

As mensagens foram além da simples proibição de brigas. Também teriam determinado o fechamento de sedes e lojas de torcidas organizadas, além da retirada de camisas, bandeiras e símbolos das ruas.

Na sequência, presidentes de importantes torcidas organizadas anunciaram renúncia por meio de vídeos publicados nas redes sociais. Entre os casos mais repercutidos estão lideranças ligadas às principais organizadas de Ceará e Fortaleza.

As renúncias ocorreram poucos dias após a circulação do “salve”, o que levantou questionamentos sobre possível influência direta da facção nas decisões.

Investigação em andamento

O Ministério Público do Ceará confirmou que investiga a autenticidade das mensagens e eventual ligação entre o comunicado e os acontecimentos recentes. A apuração é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e pelo Núcleo de Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor).

A Secretaria da Segurança Pública informou que a Polícia Civil também trabalha para identificar responsáveis pelas mensagens e apurar a extensão da influência criminosa nas torcidas.

Paralelamente, o MP aplicou medidas administrativas suspendendo torcidas organizadas do acesso aos estádios por cinco partidas, como forma de conter novos episódios de violência.

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