|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Política – O ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou a existência de fraude nas operações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) durante depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (15). A defesa também pediu a revogação da prisão preventiva e o arquivamento do inquérito que apura as transações.
Em nota, os advogados afirmaram que os negócios entre as duas instituições foram legais, baseados em decisões técnicas e colegiadas, e não provocaram prejuízos ao BRB ou aos clientes do banco.
A manifestação foi divulgada após Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa prestarem depoimento à PF. Segundo a defesa, o investigado respondeu às perguntas dos investigadores e colaborou com os esclarecimentos.
PF investiga operações de R$ 12,2 bilhões
As transações estão no centro da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades na emissão e negociação de títulos de crédito envolvendo instituições do Sistema Financeiro Nacional.
Em setembro de 2026, a PF apontou suspeitas de que o Banco Master teria simulado a aquisição de carteiras de crédito supostamente originadas pela empresa Tirreno para conseguir recursos em meio à crise financeira.
De acordo com a investigação, o Master teria revendido essas carteiras ao BRB. Duas operações chamaram a atenção dos investigadores: uma de R$ 6,7 bilhões e outra de R$ 5,5 bilhões, apresentada como um prêmio. Juntas, as transações somaram R$ 12,2 bilhões, transferidos entre janeiro e maio de 2025.
A PF sustenta que a Tirreno não possuía histórico financeiro compatível com o volume das operações investigadas. A hipótese é de que a negociação tenha sido utilizada para viabilizar a obtenção de liquidez pelo Banco Master.
As suspeitas ainda são objeto de apuração e não devem ser confundidas com uma condenação definitiva.
Defesa afirma que não houve prejuízo ao BRB
Os advogados de Vorcaro contestam a interpretação dos investigadores. Segundo a defesa, a negociação envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluída e não provocou prejuízo ao BRB ou aos clientes da instituição.
A nota afirma ainda que as operações realizadas entre os bancos produziram resultados positivos para o Banco de Brasília.
A defesa informou que pretende apresentar uma contestação na esfera cível e solicitar a realização de uma perícia para examinar as transações. O objetivo, segundo os advogados, é contestar a suspeita de fraude e a alegação de prejuízo bilionário.
Os representantes de Vorcaro também argumentam que as decisões foram tomadas pelas instâncias de governança das duas instituições, com base em avaliações técnicas e colegiadas.
Advogados atribuem crise do BRB à operação policial
Na manifestação, a defesa também criticou a condução da Operação Compliance Zero. Os advogados sustentam que a investigação provocou uma crise reputacional no BRB ao associar a instituição a uma suposta fraude bilionária.
Segundo a nota, a divulgação das suspeitas teria abalado a confiança necessária ao funcionamento do banco.
A Polícia Federal, por sua vez, investiga possíveis crimes relacionados às operações, incluindo gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, entre outras hipóteses.
Vorcaro pede revogação da prisão preventiva
Além de contestar as suspeitas, a defesa solicitou o arquivamento do inquérito relativo às operações entre o Banco Master e o BRB e a revogação da prisão preventiva de Vorcaro.
Os advogados alegam que, após quase um ano de apurações, não existem provas suficientes de fraude ou de prática de ilícitos nas transações investigadas. Por isso, defendem que o ex-banqueiro possa responder ao processo em liberdade.
O pedido ainda depende de análise judicial. A manifestação da defesa não encerra a investigação nem representa, por si só, o reconhecimento de que as operações foram regulares.
A apuração da Operação Compliance Zero busca esclarecer a origem das carteiras de crédito negociadas, a regularidade das transações e a eventual responsabilidade dos envolvidos.

