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Política – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, pediu neste domingo (11) que seus apoiadores conversem com eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições. Durante um ato de campanha na Avenida Paulista, em São Paulo, Lula destacou a importância da participação eleitoral e afirmou que é necessário convencer essas pessoas a votar no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
“Temos a obrigação de conversar com as pessoas que acham que não têm mais direito de votar”, declarou o presidente, ao mencionar o número de brasileiros que deixaram de votar na primeira etapa da eleição.
A mobilização ocorreu na região do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a partir das 11h, e reuniu apoiadores, aliados políticos e representantes de entidades ligadas à educação, à ciência e à tecnologia.
Lula destaca importância da participação eleitoral
Durante o discurso, Lula afirmou que quase 30 milhões de pessoas não compareceram às urnas no primeiro turno. O presidente também mencionou os eleitores com mais de 70 anos, para os quais o voto é facultativo no Brasil.
O candidato defendeu que seus apoiadores incentivem a participação dessas pessoas na próxima votação, argumentando que o resultado eleitoral afeta não apenas os próprios eleitores, mas também suas famílias e o país.
A mobilização faz parte da estratégia de campanha para ampliar o engajamento de eleitores na disputa presidencial do segundo turno.
Ato na Paulista reúne aliados e lideranças políticas
O evento contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, da ex-ministra Marina Silva, do ministro Guilherme Boulos e dos governadores reeleitos Elmano de Freitas (Ceará), Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Rafael Fonteles (Piauí).
A manifestação também integrou uma mobilização organizada por entidades da educação e da pesquisa científica. A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) participaram da convocação.
As organizações divulgaram uma carta conjunta em defesa da educação, da ciência e da democracia. Entre as pautas apresentadas estavam o financiamento público da educação e da pesquisa, a valorização de professores e cientistas e a autonomia universitária.
Presidente critica Bolsonaro e apresenta prioridades para novo mandato
Em seu discurso, Lula voltou a criticar a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. O petista acusou o antigo governo de desconsiderar a ciência e a medicina e afirmou que reconstruir o país exige mais esforço do que destruir estruturas existentes.
O presidente também apresentou áreas que considera prioritárias para um eventual novo mandato, incluindo inteligência artificial, indústria digital, transição energética e segurança pública.
“Nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica deste país”, afirmou.
Na área de segurança pública, Lula defendeu mudanças para ampliar a proteção da população e combater o crime organizado. O presidente também mencionou a necessidade de formação profissional para acompanhar as transformações tecnológicas e energéticas.
Lula comenta votação sobre a escala 6 por 1
Antes do ato, em conversa com jornalistas, Lula falou sobre a proposta de mudança na escala de trabalho 6 por 1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias e tem um dia de descanso.
O presidente afirmou que a votação estava prevista para quarta-feira e disse que a oposição precisaria se posicionar sobre a proposta. Segundo ele, a data havia sido acertada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
“Já está conversado com o Alcolumbre. Já está marcada a data da votação”, declarou.
Lula também criticou uma eventual tentativa de adiar a análise para depois do segundo turno e afirmou que o posicionamento dos partidos sobre o tema deveria ser conhecido antes da votação presidencial.
Ao comentar a proposta, o presidente questionou se o PL, partido de seu adversário Flávio Bolsonaro, apoiaria a ampliação do descanso dos trabalhadores.
PEC da Segurança Pública também entra na pauta
Na entrevista, Lula mencionou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Segundo o presidente, a medida busca organizar a participação do governo federal e definir atribuições da União e dos municípios no enfrentamento ao crime organizado.
O petista também criticou possíveis propostas de redução de direitos sociais atribuídas ao adversário, fazendo uma comparação com medidas adotadas pelo presidente argentino Javier Milei. Lula afirmou que mudanças desse tipo poderiam afetar especialmente a população de baixa renda e os aposentados.
Lula questiona decisão da Justiça Eleitoral sobre canal no WhatsApp
Outro assunto abordado pelo presidente foi a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp.
Lula classificou a medida como absurda e afirmou que os advogados de sua campanha pediriam explicações à Justiça Eleitoral. O presidente também alegou perceber decisões que considera tendenciosas contra sua candidatura e criticou bloqueios de perfis ligados ao seu grupo político.
A suspensão do canal foi posteriormente contestada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que restabeleceu provisoriamente seu funcionamento e determinou que os responsáveis não divulguem conteúdos cuja ilicitude já tenha sido reconhecida pelo tribunal. A questão deverá ser examinada pelo plenário do TSE.
Atos de apoio a Lula também ocorreram em outras cidades
Além da mobilização na capital paulista, apoiadores do presidente participaram de manifestações em Campinas, no interior de São Paulo, e em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Em Campinas, os participantes se concentraram no Largo do Rosário, no Centro, para a chamada “Marcha pela Democracia”. A passeata começou por volta das 11h30 e terminou aproximadamente às 13h20, com a liberação do trânsito na região.
Em Belo Horizonte, apoiadores realizaram um bandeiraço com o bloco “Sou Vermelho”, no quarteirão fechado da Rua dos Carijós. Depois, parte dos participantes seguiu em caminhada pela Feira Hippie, na Avenida Afonso Pena.
A prefeitura informou que equipes de trânsito e segurança monitoraram a região da Praça Sete para acompanhar a movimentação e organizar a circulação de veículos e pedestres.
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República.

