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queimadas no Amazonas
Reprodução internet
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Política – As primeiras aeronaves enviadas pelo governo federal para reforçar o combate às queimadas no Amazonas chegaram a Manaus neste sábado (10). O reforço inclui helicópteros e aviões que serão utilizados no transporte de equipes e no lançamento de água sobre incêndios florestais. A operação ocorre em meio ao agravamento da situação ambiental no estado, com fumaça intensa na capital amazonense e divergências entre autoridades federais e estaduais sobre a oferta de apoio.

Dois helicópteros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pousaram no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes por volta das 13h. Outros quatro aviões, do modelo Air Tractor, chegaram à Base Aérea de Manaus por volta das 16h.

As aeronaves fazem parte de uma frota mobilizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que também anunciou o envio de 290 brigadistas para reforçar as ações de combate ao fogo.

Como as aeronaves vão ajudar no combate às queimadas?

Os helicópteros do Ibama serão utilizados inicialmente para transportar equipes e profissionais envolvidos nas operações. A instalação de um equipamento conhecido como bambi bucket estava prevista para domingo (11).

O dispositivo é um reservatório suspenso por cabos, acoplado ao helicóptero para transportar e despejar água sobre áreas atingidas por incêndios. O sistema permite que as equipes realizem lançamentos de água em locais de difícil acesso terrestre.

Já os aviões Air Tractor serão empregados diretamente no combate às chamas, com o lançamento de água sobre os focos de incêndio.

Segundo o Ibama, as últimas três aeronaves previstas para a operação deveriam chegar à capital amazonense no domingo.

Uma comitiva federal também desembarcou em Manaus no sábado. O grupo contou com a presença do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, além de representantes dos ministérios do Meio Ambiente, da Justiça e Segurança Pública e da Saúde, e do presidente do Ibama.

Após uma reunião na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a comitiva tinha previsto um sobrevoo em áreas atingidas pelas queimadas no domingo.

Ibama já extinguiu 229 incêndios no Amazonas

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o Ibama extinguiu 229 incêndios no Amazonas desde o início da temporada de queimadas e continuava atuando em outros 20 focos ativos.

A pasta não detalhou os locais onde as equipes estavam concentradas. O governo federal também informou que mantém ações de monitoramento e enfrentamento dos incêndios florestais.

O reforço aéreo busca ampliar a capacidade operacional das equipes em um estado que possui extensas áreas de floresta e regiões de difícil acesso. Nessas circunstâncias, o transporte aéreo pode facilitar o deslocamento de brigadistas e permitir o lançamento de água em pontos onde a atuação terrestre enfrenta limitações.

Governo federal e bombeiros do Amazonas divergem sobre pedido de ajuda

O envio das aeronaves ocorre após uma divergência entre o governo federal e o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) sobre a disponibilização de recursos para combater os incêndios.

Na sexta-feira (9), o comandante da corporação, coronel Orleilso Muniz, afirmou que o estado havia solicitado apoio federal, mas recebeu uma resposta negativa.

“Nós já tivemos um retorno negativo, de que não seria possível apoiar. Reforço e apelo mais uma vez: o estado do Amazonas precisa somar esforços com o Governo Federal para fazer um enfrentamento qualificado”, declarou o comandante.

Documentos encaminhados pelos bombeiros indicam que houve um pedido ao Ministério da Justiça e Segurança Pública em 18 de setembro. A solicitação incluía quatro aeronaves para combater o fogo, uma aeronave para transportar equipes e equipamentos, além de recursos para a compra ou o aluguel de veículos.

Em resposta, o ministério informou que não poderia atender à solicitação naquele momento. Segundo o documento, a Secretaria Nacional de Segurança Pública não dispunha de equipamentos daquele tipo para doação e indicou alternativas para a obtenção de recursos federais.

MMA afirma que governo estadual dispensou equipe federal

O Ministério do Meio Ambiente apresentou uma versão diferente sobre a oferta de apoio.

Segundo a pasta, em 23 de setembro, o Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), coordenado pelo Ibama, recebeu uma solicitação do governo amazonense.

A partir do pedido, foram mobilizados combatentes do Projeto de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad) e uma aeronave vinculada ao Projeto de Gerenciamento de Aeronaves para Situações de Urgência e Socorro (Pegasus).

O ministério afirmou que, em 30 de setembro, após chuvas contribuírem para o controle dos incêndios, o governo estadual comunicou que não precisava mais do apoio da equipe do Respad. Por esse motivo, os profissionais teriam sido dispensados antes de seguir para o trabalho em campo.

A pasta acrescentou que orientou o governo do Amazonas a solicitar recursos por meio do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC), mas informou que o pedido ainda não havia sido formalizado até a divulgação das informações.

As manifestações mostram versões diferentes sobre a assistência solicitada e disponibilizada. O envio das aeronaves anunciado posteriormente representa um novo reforço federal para enfrentar os incêndios no estado.

Projeto ProAmazon prevê R$ 45 milhões para o Amazonas

Além das operações emergenciais, o Ministério do Meio Ambiente informou que apoia o estado por meio do projeto ProAmazon, financiado pelo Fundo Amazônia com R$ 45 milhões.

Segundo a pasta, os pagamentos foram realizados em janeiro de 2025 e março de 2026. Os recursos são destinados ao fortalecimento da estrutura do Corpo de Bombeiros e a ações de prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas.

O investimento integra as iniciativas voltadas à ampliação da capacidade de resposta do estado diante de ocorrências ambientais.

Fumaça em Manaus atinge níveis considerados péssimos

A chegada das aeronaves acontece em um momento de piora da qualidade do ar em Manaus. Neste sábado (10), a fumaça voltou a encobrir a capital pelo terceiro dia consecutivo.

Por volta das 6h, um sensor instalado na Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), na Zona Centro-Sul, registrou concentração de partículas de 209,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³).

O valor supera em 736,4% o limite de 25 µg/m³ utilizado pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), como referência para classificar a qualidade do ar como boa.

Outros pontos monitorados também registraram concentrações elevadas. Na região central de Manaus, o índice chegou a 164,1 µg/m³, enquanto o sensor instalado no Morro da Liberdade marcou 157,2 µg/m³. Nos três locais, a qualidade do ar foi classificada como péssima.

A exposição à fumaça e às partículas finas pode agravar problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes. Por isso, a situação exige atenção tanto às ações de combate ao fogo quanto aos efeitos da poluição sobre a população.

Com a chegada das aeronaves e a mobilização de brigadistas, o governo federal amplia o suporte às operações no Amazonas. O avanço do combate dependerá da atuação conjunta das equipes, das condições ambientais e da capacidade de conter os focos ativos em diferentes regiões do estado.

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