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Mundo – A jurista sul-africana Navi Pillay foi anunciada como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9). O reconhecimento destaca sua trajetória na defesa dos direitos humanos e no fortalecimento do direito internacional, com atuação em casos relacionados a crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
Ao longo da carreira, Pillay ocupou posições importantes em instituições internacionais e participou de iniciativas para responsabilizar autores de graves violações. Sua história também está ligada à luta contra o apartheid, regime de segregação racial que vigorou na África do Sul.
Quem é Navi Pillay?
Nascida na África do Sul, Navanethem Pillay, conhecida como Navi Pillay, tem origem indiana tâmil. Antes de ganhar projeção internacional, trabalhou como advogada na defesa de ativistas contrários ao apartheid e atuou em favor dos direitos de pessoas presas durante o regime.
Ela foi a primeira mulher negra a integrar o Tribunal Superior da África do Sul e a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província de Natal, onde nasceu.
Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. A função envolve a promoção e a proteção dos direitos fundamentais em diferentes países, além do acompanhamento de denúncias de violações.
Atuação em tribunais internacionais
A trajetória de Pillay inclui passagens pelo Tribunal Penal Internacional para Ruanda, onde atuou como juíza e presidente, e pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
Sua atuação esteve relacionada à responsabilização por crimes cometidos em contextos de conflito. O trabalho dessas instituições busca investigar condutas graves e julgar indivíduos acusados de violações do direito internacional.
O Comitê do Nobel destacou a contribuição de Pillay para a defesa de um sistema no qual crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio possam ser investigados e julgados.
Em 2015, ela também se tornou integrante da Comissão Internacional contra a Pena de Morte. Além disso, participa da Comissão de Informação e Democracia, iniciativa ligada à organização Repórteres Sem Fronteiras.
Relatório da ONU sobre a guerra em Gaza
Pillay também esteve associada a investigações internacionais sobre a situação dos direitos humanos na Faixa de Gaza.
Sob sua liderança, uma comissão de investigação da ONU concluiu, em 2025, que Israel havia cometido genocídio no território palestino. O relatório também apontou que autoridades israelenses de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, haviam incitado esses atos.
Israel rejeitou as acusações e classificou as conclusões como escandalosas. O caso integra uma disputa jurídica e política internacional sobre as ações militares em Gaza e a responsabilização por possíveis crimes.
O que é o Tribunal Penal Internacional?
O Tribunal Penal Internacional, sediado em Haia, nos Países Baixos, é uma instituição permanente criada para julgar pessoas acusadas de crimes internacionais graves, como genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Sua base jurídica é o Estatuto de Roma, adotado em 1998. Diferentemente de tribunais que julgam disputas entre países, o TPI conduz processos contra indivíduos.
A instituição também enfrenta tensões políticas. O governo dos Estados Unidos, durante a administração de Donald Trump, adotou medidas contra o tribunal e seus integrantes após a emissão de mandados de prisão relacionados à guerra em Gaza, incluindo o mandado contra Netanyahu.
Em setembro, uma reportagem do Wall Street Journal informou que o governo americano estudava novas sanções capazes de restringir as transações financeiras da instituição. Medidas desse tipo poderiam dificultar o funcionamento do tribunal e suas operações internacionais.
Quando será entregue o Nobel da Paz 2026?
A cerimônia de entrega do Nobel da Paz está prevista para 10 de dezembro, em Oslo, na Noruega. A data marca o aniversário da morte de Alfred Nobel, industrial sueco que criou os prêmios em seu testamento, em 1895.
A premiação inclui uma medalha e um valor em dinheiro. Segundo as informações divulgadas no anúncio, a quantia prevista para este ano é de 12 milhões de coroas suecas.
A escolha de Navi Pillay coloca novamente em destaque o papel do direito internacional na proteção de direitos fundamentais e na responsabilização por crimes graves. O desafio, porém, vai além de reconhecer esse trabalho: depende também da capacidade das instituições internacionais de atuar diante de conflitos e de pressões políticas.

