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Política – O resultado do primeiro turno das eleições mudou a avaliação dentro da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre uma das principais bandeiras escolhidas para a disputa do segundo turno: o fim da escala de trabalho 6×1.
A proposta, que ganhou espaço no discurso do governo nas últimas semanas, era vista como uma forma de aproximar Lula dos trabalhadores, especialmente daqueles de menor renda. O desempenho da direita nas urnas, porém, aumentou a preocupação entre aliados sobre a força da pauta como estratégia eleitoral.
Resultado do primeiro turno preocupa governistas
Antes da votação, integrantes do entorno de Lula avaliavam que a discussão sobre o fim da escala 6×1 poderia ajudar o presidente a recuperar espaço entre os trabalhadores e ampliar sua vantagem sobre os adversários.
O tema chegou a ser destacado por Lula em seu último ato de campanha antes do primeiro turno, realizado em São Paulo.
A expectativa, entretanto, foi afetada pelo resultado das urnas. O desempenho da direita no Senado e a votação de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência foram recebidos por apoiadores do governo como um sinal de que a estratégia precisará ser recalibrada.
Nesse cenário, aliados passaram a defender mudanças na comunicação de Lula. A orientação é que o presidente não concentre seu discurso apenas em realizações de governos anteriores e apresente com mais clareza propostas para os próximos anos.
Apesar das dúvidas, a campanha não pretende abandonar a defesa do fim da escala 6×1.
PEC enfrenta incertezas no Senado
A principal preocupação agora está relacionada à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da mudança na jornada de trabalho.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), indicou a aliados que pretende manter o calendário previsto para a discussão da proposta. A análise deve começar nesta terça-feira (6), com novas sessões programadas para quarta-feira (7) e quinta-feira (8).
Pelas regras do Senado, uma PEC normalmente precisa passar por cinco sessões de discussão antes de ser votada. Um acordo entre os senadores, porém, pode reduzir esse período.
Para ser aprovada no Senado, a proposta precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis, de um total de 81 senadores, em dois turnos de votação.
Mudança na composição do Senado pesa na decisão
O resultado das eleições também criou um novo fator de incerteza. A composição do Senado será alterada a partir da próxima legislatura, o que levou parte dos parlamentares a questionar se ainda há votos suficientes para aprovar a PEC antes do segundo turno presidencial.
Existe ainda a possibilidade de a proposta enfrentar uma votação apertada ou sequer avançar no período entre os dois turnos.
A situação coloca Alcolumbre diante de uma decisão política delicada. A escolha de pautar ou não a PEC ainda nesta legislatura pode ter impacto sobre seus próprios planos dentro do Senado, inclusive em relação à disputa pela presidência da Casa.
Fim da 6×1 vira desafio para a campanha
Mesmo com as incertezas no Congresso, o governo mantém a proposta entre os principais temas da campanha para o segundo turno.
A questão agora é se o fim da escala 6×1 conseguirá manter o mesmo peso eleitoral que seus defensores esperavam antes da votação de 4 de outubro.
O avanço da direita no primeiro turno alterou o cenário político e aumentou a pressão para que a campanha de Lula combine a defesa da mudança na jornada de trabalho com uma agenda mais ampla de propostas para o futuro.

