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Mundo – O governo dos Estados Unidos teria destinado US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,1 milhões, para financiar iniciativas de grupos da sociedade civil contrários à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi publicada pelo jornal britânico The Guardian, que teve acesso a documentos e fontes do Departamento de Estado norte-americano.
O financiamento, identificado como “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, estaria voltado a projetos que questionam o que classificam como excesso de atuação judicial e censura por parte da Suprema Corte brasileira.
Segundo a reportagem, os recursos fazem parte do Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF), que recebe verbas aprovadas pelo Congresso dos Estados Unidos. Ainda não há confirmação de que o dinheiro tenha sido efetivamente transferido ou apenas reservado para os projetos.
A informação surge em meio às tensões entre o governo do presidente Donald Trump e o Judiciário brasileiro, especialmente após medidas adotadas pelo STF contra conteúdos e plataformas digitais e o julgamento de envolvidos na tentativa de golpe de Estado.
Financiamento faz parte de pacote internacional dos EUA
De acordo com o The Guardian, o projeto relacionado ao Brasil integra um conjunto de 43 iniciativas que receberiam, juntas, US$ 176,9 milhões, aproximadamente R$ 918 milhões, em recursos do governo norte-americano.
Os projetos estariam distribuídos por diferentes países e alinhados a prioridades da administração Trump em temas como liberdade de expressão, imigração, segurança digital e valores considerados tradicionais pelo governo.
A reportagem aponta que houve pressão de integrantes da administração norte-americana para direcionar parte dos recursos a iniciativas que refletem interesses políticos e ideológicos do governo.
Além do Brasil, países europeus e a África do Sul aparecem entre os destinos dos financiamentos descritos na publicação.
Relação entre Trump e o STF é marcada por tensões
O governo de Donald Trump já havia adotado medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em meio às críticas norte-americanas ao processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em 2025, os Estados Unidos impuseram sanções ao magistrado, após articulações e pressões políticas relacionadas ao julgamento brasileiro.
A administração Trump também criticou decisões do Supremo sobre plataformas digitais norte-americanas, especialmente medidas voltadas à responsabilização das empresas e à remoção de conteúdos considerados ilegais.
O embate está inserido em uma discussão mais ampla sobre a regulamentação das redes sociais, a liberdade de expressão e os limites da atuação do Judiciário diante de empresas de tecnologia.
Projeto para o Brasil ainda não tem repasse confirmado
Apesar da previsão de US$ 1 milhão para iniciativas brasileiras, a reportagem não esclarece quais organizações receberiam os recursos nem se os valores já foram liberados.
A diferença entre a destinação orçamentária e a transferência efetiva é importante para compreender o alcance do financiamento. A previsão de recursos para um projeto não significa, necessariamente, que o dinheiro já tenha chegado às organizações envolvidas.
A Agência Brasil informou que procurou a assessoria de imprensa do STF para comentar a reportagem, mas não recebeu resposta até o fechamento do texto.
Até o momento, portanto, não há confirmação pública, no material apresentado, sobre os possíveis beneficiários brasileiros ou sobre a execução do financiamento.
Outros projetos financiados pelo governo Trump
A reportagem do The Guardian também detalhou iniciativas previstas para outros países.
No Reino Unido, por exemplo, US$ 5 milhões seriam destinados a um grupo contrário a leis de segurança digital e de combate ao discurso de ódio, incluindo a legislação britânica de segurança on-line.
A lei britânica estabelece obrigações para plataformas digitais com o objetivo de reduzir a exposição de usuários, especialmente crianças, a conteúdos considerados nocivos. Entre as medidas estão mecanismos de verificação de idade, que receberam críticas do governo norte-americano sob o argumento de que poderiam restringir a liberdade de expressão.
Outro projeto citado envolve a Fundação Memorial de Vítimas do Comunismo, que teria previsão de receber US$ 40 milhões. A entidade tem entre seus líderes Andrew Bremberg, ex-assessor da Casa Branca durante a primeira gestão Trump.
Departamento de Estado defende apoio a aliados
Questionado pelo The Guardian, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que os projetos na Europa buscam apoiar aliados na defesa de direitos e princípios, além da soberania e da identidade cultural das sociedades.
A declaração representa a posição oficial do governo norte-americano sobre os financiamentos descritos na reportagem.
No caso brasileiro, a previsão de recursos para grupos contrários à atuação do STF acrescenta um novo elemento às relações entre Washington e Brasília, em um cenário de divergências sobre o papel das instituições judiciais, a regulação das plataformas digitais e os limites da liberdade de expressão.

