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Mundo – O papa Leão XIV chegou a Paris nesta sexta-feira (25) para uma visita de quatro dias à França, marcada por encontros com autoridades, debates sobre inteligência artificial e uma reunião privada com vítimas de abusos sexuais cometidos por integrantes da Igreja Católica. A viagem ocorre em um momento de pressão sobre a instituição para ampliar as medidas de responsabilização e reparação.
Esta é a primeira visita oficial de um papa à França em quase 20 anos. A programação de Leão XIV inclui compromissos em Paris, Lourdes e Metz entre os dias 25 e 28 de setembro.
Inteligência artificial é um dos principais temas
Logo no primeiro dia da viagem, Leão XIV tem encontros com o presidente francês Emmanuel Macron e representantes da sociedade civil e do corpo diplomático. O pontífice também visita a sede da Unesco, em Paris, onde aborda os impactos e os riscos associados ao avanço da inteligência artificial.
O papa tem colocado a tecnologia entre as principais preocupações de seu pontificado e defende a criação de regras internacionais para orientar o desenvolvimento da IA.
Em pronunciamento no Vaticano na quinta-feira (24), Leão afirmou que a inteligência artificial pode trazer benefícios à humanidade, mas também criar novos riscos para a segurança e a paz internacional. Ele pediu que os líderes mundiais conduzam o desenvolvimento da tecnologia com responsabilidade.
A agenda na Unesco também ocorre em um contexto de debates sobre o papel do multilateralismo e das organizações internacionais.
Papa encontrará vítimas de abusos em Lourdes
Um dos momentos mais delicados da viagem ocorrerá no domingo (27), em Lourdes. Leão XIV terá uma reunião privada com sete pessoas que sofreram abusos sexuais cometidos por padres ou outros integrantes da Igreja Católica.
O encontro acontece após anos de denúncias envolvendo a instituição na França. Um relatório independente publicado em 2021 estimou que aproximadamente 330 mil pessoas foram vítimas de abusos quando eram menores ao longo de sete décadas, considerando integrantes do clero e outras pessoas ligadas à Igreja.
A Igreja francesa criou mecanismos de reparação e medidas de proteção após a divulgação do relatório. Ainda assim, grupos de sobreviventes continuam cobrando mudanças e maior responsabilização institucional.
O encontro de Lourdes será realizado de forma privada. Segundo informações divulgadas antes da viagem, os sete sobreviventes escolhidos afirmaram que não pretendem falar em nome de todas as vítimas e que participarão individualmente da conversa com o pontífice.
Agenda inclui Notre-Dame e missa para milhares
Em Paris, Leão XIV também participa de uma celebração na Catedral de Notre-Dame. Será a primeira visita de um papa ao templo desde o incêndio de 2019, que destruiu parte significativa da construção histórica.
No sábado (26), o pontífice celebrará uma missa ao ar livre na Place de la Concorde. Cerca de 600 mil pessoas se inscreveram para participar da celebração, segundo informações divulgadas pela organização.
Ainda na capital francesa, Leão participa de uma vigília com jovens no Stade de France.
A programação oficial prevê ainda uma passagem pela Maison Bakhita, centro dedicado ao apoio e à integração social de migrantes.
Passagem por Metz encerra viagem
Depois de Lourdes, o papa seguirá para Metz, no nordeste da França, onde encerrará a visita na segunda-feira (28).
Na cidade, Leão XIV participará de um encontro inter-religioso e fará um discurso com o tema “Às raízes da Europa pela paz e unidade”. A escolha de Metz tem relação com a história da integração europeia e com a figura de Robert Schuman, considerado um dos fundadores do projeto europeu.
A viagem combina compromissos religiosos, diplomáticos e sociais e coloca no centro do debate temas como abusos dentro da Igreja, proteção da vida, inteligência artificial, migração e o futuro da Europa.
O que esperar da visita
Além das celebrações religiosas, a passagem de Leão XIV pela França deve ser acompanhada de perto por causa dos encontros com autoridades e sobreviventes de abusos. A reunião em Lourdes será um dos principais momentos da viagem, enquanto o discurso sobre inteligência artificial na Unesco amplia a atuação do pontífice em um debate internacional que vai além do ambiente religioso.

