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Política – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania brasileira e criticou a interferência externa em assuntos internos durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York.
Ao abordar a relação do Brasil com outras nações, Lula afirmou que o país não deve ocupar uma posição de subordinação no cenário internacional. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou.
A fala ocorreu durante a abertura do debate geral da Assembleia Geral, que reúne representantes dos 193 países-membros da ONU entre 22 e 28 de setembro. Desde 1955, o Brasil é tradicionalmente responsável por abrir os discursos dos chefes de Estado no evento.
Lula critica interferência externa nas eleições
Durante o discurso, Lula também mencionou o processo eleitoral brasileiro e criticou o que classificou como ingerência externa em eleições.
Segundo o presidente, a democracia brasileira deve ser conduzida pelos próprios brasileiros. Ele afirmou ainda que o país não permitirá que forças internas ou externas interfiram na vontade popular.
“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros”, disse.
A eleição presidencial brasileira está marcada para 4 de outubro. As declarações foram feitas em um contexto de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, com divergências envolvendo comércio, política externa e questões relacionadas ao processo eleitoral.
Críticas às tarifas e defesa do multilateralismo
Outro ponto central da fala foi a política comercial internacional. Lula criticou o uso de tarifas como instrumento de pressão entre países e defendeu o fortalecimento do multilateralismo e das instituições internacionais.
O presidente afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta dificuldades e classificou tarifas utilizadas como mecanismo de pressão como formas de coerção.
Lula também defendeu uma maior integração entre os países da América Latina, argumentando que diferenças ideológicas não deveriam impedir a cooperação regional.
A ONU, por sua vez, estabelece o debate geral como um dos principais momentos de discussão multilateral entre os Estados-membros, com os governos apresentando suas prioridades diante de questões internacionais.
Combate ao crime organizado
O combate ao crime organizado também esteve entre os assuntos abordados pelo presidente.
Lula defendeu a cooperação internacional para combater o tráfico de armas e o financiamento de organizações criminosas, mas rejeitou a ideia de uma atuação militar estrangeira nas águas brasileiras.
“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime”, afirmou.
A posição apresentada pelo presidente foi associada à defesa da soberania nacional e à ideia de que o Brasil deve conduzir sua política de segurança em parceria com outros países, sem abrir mão do controle sobre seu território.
Meio ambiente e exploração de recursos naturais
Na área ambiental, Lula destacou a redução do desmatamento na Amazônia e defendeu a possibilidade de conciliar preservação ambiental, redução das emissões e crescimento econômico.
O presidente também citou o potencial brasileiro em áreas estratégicas para a transição energética, incluindo as terras raras e os recursos da Margem Equatorial.
Segundo Lula, a exploração desses recursos deve gerar benefícios dentro do próprio país, com agregação de valor e transferência de tecnologia.
“Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro e é em benefício dele que serão exploradas”, afirmou.
A defesa da transição energética e do combate às mudanças climáticas também está entre os temas previstos para a 81ª Assembleia Geral da ONU. O debate geral deste ano tem como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Inteligência artificial e regulamentação das plataformas
Lula ainda dedicou parte do discurso aos avanços tecnológicos e à inteligência artificial.
O presidente criticou a concentração de poder nas mãos de grandes empresas de tecnologia e defendeu regras internacionais para o desenvolvimento e o uso dessas ferramentas.
A regulamentação das plataformas digitais foi apresentada como parte de uma agenda de proteção da democracia e dos direitos dos cidadãos diante das transformações provocadas pelo ambiente digital.
Defesa do Pix
O Pix também foi citado durante o discurso. Lula afirmou que o Brasil não pretende ceder a pressões de empresas interessadas na infraestrutura de pagamentos desenvolvida no país.
A declaração foi inserida pelo presidente no contexto mais amplo de soberania tecnológica e econômica.
Lula pede fortalecimento da ONU
Ao longo da fala, Lula defendeu o multilateralismo como alternativa para enfrentar conflitos e desafios internacionais. Também cobrou mudanças na estrutura do Conselho de Segurança da ONU e maior participação de diferentes países nas decisões globais.
O discurso ocorreu no primeiro dia do debate geral da 81ª Assembleia Geral. Após a participação brasileira, outros chefes de Estado e de governo passaram a apresentar suas posições e prioridades para a agenda internacional.

